A República

O discurso mais recorrente nas vozes que bravejam na esquerda, seja no Brasil, seja na América Latina, é o do respeito à democracia, às instituições democráticas, à vontade do povo, e o combate heroico contra as elites.

Esse discurso enganou e continua enganando centenas de pessoas, de alunos e professores que, sempre colocando a ditadura como referência de perseguição e atentado à democracia, enaltecem políticas populistas com líderes que se colocam acima do Estado em prol da liberdade.

O que garante liberdade, o que garante que os interesse públicos não se confundam com os interesses privados não é, nunca foi, e nunca será a forma de um governo de um país.

Obviamente que o sistema democrático de governo é o menos pior de todos os meios de se governar. Mas possui vícios e falhas que podem levar qualquer país ao fundo do poço.

Will Durant dizia que “Uma grande civilização não é conquistada por fora, sem antes se destruir por dentro”. Pois bem, afora os regimes abertamente ditatoriais, todos os países que viram seu futuro pular cinco, dez, cem casas à frente do tabuleiro do desenvolvimento global, foram vítimas de políticas populistas que colocavam a ânsia por popularidade e o culto à personalidade acima dos interesses nacionais.

O único remédio para eventuais prejuízos que os sistema democrático pode trazer é a implementação de um modelo de Estado solidamente republicano.

Democracia é uma forma de governo. República é uma forma de Estado. A democracia garante que qualquer pessoa, grupo ou partido político tenha acesso à máquina pública para, tendo maioria de votos, fazer o que acreditam ser melhor, seja para nação (quando a democracia acerta), seja na defesa de interesses próprios (quando a democracia erra).

A República separa aquilo que é público daquilo que é privado. É esse modelo de estado que garante efetivamente a liberdade. Uma República robusta possui instituições fortes que existem para retirar grupos e pessoas que desejam se utilizar na máquina pública para misturar interesses privados.

Lula e o PT vêm ano após ano destruindo as bases da República sob a égide da proteção dos interesses democráticos. Quando as instituições tentam funcionar para resguardar os interesses republicanos, se portam de vítimas de perseguição política como se na ditadura estivessem.

A República impede que os fins justifiquem os meios, e que as pessoas se utilizem do público como se delas fossem. As manifestações que vem ocorrendo no Brasil defendem única e exclusivamente a autonomia, isonomia e eficiência das instituições. Querem que a Polícia Federal investigue, que o Ministério Público investigue, e que o Judiciário seja justo.

Longe das decisões insidiosas do Supremo Tribunal Federal, a população se apega ao Juiz Sérgio Moro, aos procuradores do MPF e ao delegados e agentes da Polícia Federal como armas para enfrentar o sucateamento dos interesses públicos. Tanto é que os brasileiros querem defender a república e não percebem, que defendem justamente agentes e instituições públicas que não passaram pelo sistema político democrático do voto e escolha, e acusam justamente os agentes políticos eleitos pelo voto popular, agraciados pelo sistema democrático.

Quando a democracia ataca a República, deve-se ser corajoso o suficiente para mostrar que o sistema democrático não é o mar de rosas que perfuma os discursos da esquerda.

A democracia é um mal necessário, que pode colocar pessoas extremamente decentes e competentes na condução dos interesses públicos, mas também pode colocar pessoas que se interessam única e exclusivamente com projetos pessoais de poder. Quem nos salva? A República! Quem vem sendo destruída para a democracia existir sem controle? A República.

Deus me perdoe. Mas a democracia tanto almejada está nos enterrando. E assim, no fim, seremos vergonhosamente conquistados pelo mundo, depois de nos destruirmos por dentro.

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