
Em Tully, Charlize Theron dá vida a Marlo, uma mãe de dois filhos que está prestes a dar a luz ao terceiro. A vida da protagonista é totalmente dedicada a cuidar dos seus filhos, deixando a si mesma sempre em último plano. Mas tudo isso muda com a chegada de Tully (Mackenzie Davis), uma babá noturna.
Charlize Theron conquista rapidamente o espectador com tamanha de dedicação e ternura na hora de cuidar dos filhos. Isso é mostrado logo no início em uma das cenas mais puras que se pode ver numa vida: uma mãe gentilmente escovando a pele de seu filho. Esse momento é intensificado por uma iluminação alaranjada, deixando aquele instante mais acolhedor possível.
A vida de Marlo se resume a cuidar de suas crianças, e o roteiro faz questão de enfatizar isso com uma sequência de cortes rápidos e muitas vezes repetidos que retratam a dura rotina de uma mãe que precisa se doar inteiramente para os filhos. Nessa sequência, o diretor Jason Reitman conduz uma câmera mais intimista, sensibilizando qualquer um que veja aqueles momentos.

A chegada de Tully muda o ritmo da história e traz novo gás ao enredo e para a própria Marlo. A partir daí o filme começa brilhar focando mais no lado mulher ao explorar a dinâmica das duas, mas sempre retomando às questões maternas da protagonista, seja na hora de amamentar, no momento de trocar fraldas ou se divertir com os filhos mais velhos.
Tully trabalha desde as questões ternas da maternidade até os sacrifícios exigidos pela mesma, desconstruindo brilhantemente a imagem de uma Charlize acostumada a viver personagens fatais como Lorraine Broughton de Atômica e Furiosa de Mad Max: Estrada da Fúria. Como Marlo ela é tão guerreira quanto qualquer outra personagem que já tenha feito. Dessa vez ela não precisa salvar inocentes de um insano em um futuro distópico ou ser uma espiã durante a Guerra Fria, mas sim se superar todos os dias para dar conta da árdua tarefa de ser mãe.
