Destinatário:

O poema deve ser
Como quem quer concebê-lo.
Vê-se poesia nascer
Sem nem mesmo percebê-lo.

O poeta não é nada:
Não passa de um ventríloquo;
Põe emoção para cada,
Cada um de nós - iníquo.

Faz-se brotar poesia
De onde mal se pode a achar.
Quem não a quiser, sorria:
Isso já deve bastar.

(Talvez até mesmo aquilo
Constituirá peça de arte.
Por mera questão de estilo,
Provável que faça parte.)

Espelho-me no que sinto,
Observo aqueles que sentem,
Não vejo tudo tão tinto,
Será que me compreendem?

Face a isto, costuro letras:
Compenso o que hei de ler.
Contemplo nas linhas pretas,
O que o poema está a fazer.

Mas eis que o bordado se mostra,
Aumentando-se em todas as linhas;
Até que no fim a moda se prostra
- Ninguém fazia ideia de que vinhas.

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