Mondrian
Jul 21, 2017 · 1 min read
Cada gotícula pingada,
cada piscadela dada,
cada amargura que vazava:
Tudo continha a angústia da rejeição.
Cada risco em ranhuras,
cada zigue-zague no papel,
cada explicação mal sucedida:
Nada me fazia senti-la.
Se pássaros cantam nas árvores
(sob as quais estamos),
por que não os ouço?
Dizes que cantam,
mas já disse:
Não escuto.
O invólucro que nos unia
rompeu-se.
Embalagens velhas, frascos mofados...
O cheiro de bolor desconcerta-te.
Como esperas que eu o abra?
Como esperas que eu o feche?
Prego no corredor um quadro.
Nele escuto tudo -
tudo que não me disseste.
A moldura é a parede,
a tinta são seus olhos,
e ela escorre; eles,
não.

