Quem

Vago
por ruas que nunca andei.

Olho
cores que nunca retive.

Encontro então alguém de cujo rosto não me recordo.
Traço paralelos, crio rascunhos - pontes mnemônicas, tentando encontrar o alguém
na — teia — de — sinapses.
Falho.

Encaro o rosto, fito-o,
ainda não o reconheço.

Prendo a atenção, aguço-a e percebo:
O alguém tem meu rosto,
mas não sou mais o alguém.

Tateio suas veias pulsantes,
Sentindo o líquido vital
T
R
A
N
S
C
O
R
R
E
N
D
O
Alguém sequer se toca
- acha que suas veias não mais pulsam.

Observo-o e não titubeio:
penso logo na questão que se compõe
(Mnemonicamente).
Entoo:

"Faz tempo que não te vejo"
Alguém replica:
"Faz tempo que não me mostro".

“E como me vê você?”