O desejo de status segundo o cinema

Alain de Botton é conhecido no meio filosófico por se destacar entre os pensadores pós-modernos no que se refere ao emprego de conceitos filosóficos em matrizes cotidianas e prosaicas, além de apresentar seus conceitos de forma dinâmica e acessível. Contudo, isso não significa que suas teorias são menos densas do que as de pensadores contemporâneos como Noam Chomsky e Zygmunt Bauman. De Botton é citado principalmente por sua análise do ser humano quanto aos desejos e ambições, como desenvolvido em sua Magnum Opus, o livro Desejo de Status (Rocco/L&PM Editora, Porto Alegre — RS, edição de de 2013).

No cinema, o desejo de status por parte do protagonista de um filme tende a resultar em dois padrões de desfecho. É importante ressaltar que aqui retenho-me apenas às produções que se enquadram no que o teórico Robert McKee categoriza como arquitramas em seu livro Story — Substância, estrutura, estilo e os princípios da escrita de roteiro (Editora Arte & Letra, Curitiba — PA, edição de 2006): padrões de narrativa lineares e tidos como hollywoodianos pelos estudiosos das mídias audiovisuais, sob o propósito de manter os exemplos vindouros simples e enxutos.

Para fins de segmentar a linha de raciocínio que segue de modo mais objetivo, divido os padrões de desfecho para as tramas que falam sobre a busca pela realização de um desejo em DESFECHO POSITIVO e DESFECHO NEGATIVO.

DESFECHO POSITIVO: A personagem principal possui um objetivo, seja ele a ascensão social, o sucesso na vida romântica, a prosperidade nas relações profissionais ou a construção de uma reputação, e após superar as adversidades inseridas pelo roteirista em seu caminho, termina o filme vitoriosa. Geralmente ocorre quando o protagonista é uma pessoa vista como moralmente boa.

O ingênuo Forrest (Tom Hanks), narrador e personagem principal de FORREST GUMP: O CONTADOR DE HISTÓRIAS (1994, dir. Robert Zemeckis) passa por uma infância difícil na qual sofre bullying de outras crianças por suas deficiências físicas e mentais, luta na guerra do Vietnã, vê seu melhor amigo morrer em seus braços e perde a mulher que ama, mas, na cena final, está rico, bem-sucedido e afastando-se da câmera acompanhado de seu recém-descoberto filho. Desfecho positivo.

Michael (Al Pacino), filho do líder mafioso Vito Corleone no clássico O PODEROSO CHEFÃO (1972, dir. Francis Ford Coppola), tem em seu arco de personagem uma virada dramática: após o falecimento de seu pai por causas naturais e do assassínio de seu irmão mais velho pelas mãos de famílias criminosas rivais, ele toma como seu objetivo tornar-se o novo líder da organização que antes fora comandada por seu progenitor, eliminar todas as famílias dissidentes por intermédio de capangas contratados para matá-las e legitimar todos os negócios dos Corleone, para que o clã deixe de trabalhar na área sombria da ilegalidade. O filme termina com os inimigos de Michael sendo mortos um a um, em inserts que são contrapostos à cena do batismo de seu sobrinho, e a cena final da projeção mostra o que antes era um filho relutante agora sendo reconhecido por seus subordinados como o novo Don da família. Desfecho positivo.

Por mais que suas ações tenham sido cruéis, o público lava as mãos sangrentas de Michael por ter acompanhado sua história desde o começo — um veterano da Segunda Guerra que inicialmente não queria afiliação com os negócios de seu pai, mas que assumiu as rédeas quando foi preciso. Portanto, a plateia torce tanto por ele quanto para uma personagem completamente tida como benfeitora e embaixadora dos valores americanos, como Forrest Gump.

DESFECHO NEGATIVO: As ambições da personagem principal aqui podem não parecer tão legítimas para um espectador que simpatiza apenas com protagonistas de compasso moral focado majoritariamente para o bem. Entre os objetivos que culminam em um desfecho negativo costumam configurar dinheiro, poder e sexo. Não que a conquista desses fatores seja algo ruim, muito pelo contrário. Em FORREST GUMP: O CONTADOR DE HISTÓRIAS, Forrest consegue dinheiro, porém não como um prêmio, mas como consequência de sua jornada.

O desfecho negativo é comumente aplicado por roteiristas na conclusão do arco de personagens moralmente dúbias. É seguro afirmar que a maioria dos vilões nas narrativas clássicas hollywoodianas possuem um desfecho ruim. Contudo, listar mortes trágicas de antagonistas seria uma forma preguiçosa e genérica de identificar o desfecho negativo dentro do cinema, e por isso focarei nos casos que atingem o protagonista da trama.

Em O PODEROSO CHEFÃO PARTE II (1974, dir. Francis Ford Coppola), o personagem de Michael torna-se uma pessoa profundamente diferente da que era durante o primeiro filme da saga. Agora, o Don é um chefe inescrupuloso, agressivo e soturno. O objetivo de legitimar totalmente os negócios da família continua, porém para isso ele faz o que for possível de maneira implacável, o que culmina no assassinato de seu irmão Fredo sob suas próprias ordens e no afastamento de sua esposa. Michael torna-se isolado e violento, tendo perdido pessoas que ama e falhado na conquista de seus objetivos. Desfecho negativo.

Em OS BONS COMPANHEIROS (1990, dir. Martin Scorsese), o jovem Henry Hill (Ray Liotta) ingressa no mundo do crime fazendo pequenos serviços, como manobrar carros e revender cigarros roubados para os mafiosos de Nova York. Com o tempo, torna-se um wiseguy, capanga ativo da máfia que possui em seu estilo de vida todo o glamour e a pompa que eram vistos inicialmente como o objetivo de Henry. Ele se casa com uma mulher que é impressionada por sua situação social e financeira, tem filhos com ela e constitui um lar. Família dos sonhos, dinheiro, poder, respeito, tudo o que alguém poderia querer. Exceto que a história não acaba assim.

Se a trama terminasse nesses termos, teríamos um desfecho positivo. Contudo, existe em OS BONS COMPANHEIROS uma característica comum na obra de Scorsese — a mensagem de que o crime não compensa. Henry começa a traficar drogas, mesmo sob os protestos de todos os seus colegas da máfia, vicia-se no próprio produto, tem desentendimentos com sua esposa e sente-se com medo de ser assassinado por seus próprios amigos em uma operação de “queima de arquivo”. A narrativa acaba com Henry sendo preso, dedurando seus companheiros e vivendo o restante de seus dias sob o programa de proteção de testemunhas do FBI, em uma casa medíocre, com um nome falso e sob o constante temor de ser assassinado por ex-sócios vingativos. Desfecho negativo.

Tal divisão binária entre desfechos positivos e desfechos negativos parece simples e universal, porém pode acabar por deixar de fora filmes em que os finais transcendem classificações tão objetivas. Portanto, para se ter um panorama mais abrangente, pode-se mesclar os tipos de final em duas novas subcategorias.

DESFECHO NEGATIVO, MAS COM TONS DE DESFECHO POSITIVO: A personagem principal possui objetivos dúbios, moralidade questionável e toma ações que não são dignas de orgulho ao longo da trama e paga por isso, porém o fim do filme não é totalmente pessimista, seja pela presença de elementos de redenção ao fim do terceiro ato ou por uma virada positiva que ocorre nos últimos minutos de tela.

WALL STREET — PODER E COBIÇA (1987, dir. Oliver Stone): Bud Fox (Charlie Sheen) é um jovem contador da bolsa de valores de Nova York que um dia recebe a oportunidade de conhecer o famoso investidor Gordon Gekko (Michael Douglas). O desejo inicial de Fox é enriquecer de forma honesta e alcançar o status econômico e social como consequência de seu esforço. Ao conhecer Gekko, o protagonista se depara com um homem frio, rígido e desonesto, que não hesita em apelar para meios ilegais se isso contribuir no aumento de sua já bilionária fortuna. Fox é seduzido pelo estilo de vida luxuoso e status invejável de Gekko, e passa a emular seu comportamento.

A personagem principal consegue alcançar seus novos desejos e, entre o primeiro e o segundo ato do filme, torna-se uma pessoa de morais duvidosas. No clímax da trama, após um confronto físico entre os dois investidores, Fox revela que dedurou Gekko para o governo, o que resultaria inevitavelmente em sua prisão. A história termina com o protagonista dirigindo-se ao julgamento da Suprema Corte para responder pelos crimes que cometeu sob a influência de seu antigo mentor. Mesmo sabendo que suas chances de terminar em cárcere são altas, ele sabe que fez a coisa certa. Desfecho negativo, mas com tons de desfecho positivo.

O similar ocorre em TROPA DE ELITE 2 — O INIMIGO AGORA É OUTRO (2010, dir. José Padilha), no qual Roberto Nascimento (Wagner Moura), antigo coronel do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro e secretário de segurança da cidade, vê-se desiludido com as instituições policiais e governamentais do Brasil, e sabe que jamais conseguirá extinguir totalmente a corrupção e os esquemas criminosos existentes dentro do coletivo que ele denomina “O Sistema”. Mesmo com um fim pessimista, as cenas finais da produção mostram Nascimento depondo em uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara dos Deputados e denunciando todas as irregularidades na Polícia Militar e no governo do estado das quais ele tinha conhecimento, sabendo que era o máximo que podia fazer. Desfecho negativo, mas com tons de desfecho positivo.

DESFECHO POSITIVO, MAS COM TONS DE DESFECHO NEGATIVO: Da mesma forma que um filme pode terminar mal com alguma esperança, a sequência que precede os créditos pode ser feliz, porém não poderosa o suficiente para impedir consequências iminentes dos atos cometidos pelas personagens no mundo fílmico após o término da projeção.

GUERRA NAS ESTRELAS (1977, dir. George Lucas): O jovem Luke Skywalker (Mark Hamill), habitante de um entre tantos mundos em uma galáxia muito, muito distante, deseja sair de seu planeta pacato e provinciano, juntar-se à Aliança Rebelde que combate o temível Império Galático e alcançar o símbolo de status que era se tornar um cavaleiro Jedi, o que, no contexto fílmico, representa ainda mais para Luke, visto que ele estaria seguindo os passos de seu (presumidamente) falecido pai. Esses objetivos são conquistados parcialmente: ele integra a Aliança, deixa o planeta desértico de Tatooine e inicia os passos no treinamento Jedi, que é interrompido, porém, pela morte de seu mestre nas mãos do maligno Darth Vader (David Prowse, dublado por James Earl Jones).

Apesar dessa virada negativa, o filme termina com a Aliança tendo sua primeira vitória em combate contra o Império quando o Luke dá o tiro certeiro de sua nave espacial que culmina na explosão da estação bélica destruidora de planetas conhecida como “Estrela da Morte”. Somos então levados à uma cerimônia de condecoração na qual uma importante figura da Aliança, a princesa Leia (Carrie Fisher) — que, aliás, foi resgatada pelo herói da narrativa, lutando ao seu lado durante o segundo ato — premia Luke, Han Solo (Harrison Ford) e outros heróis da resistência.

O fim da trama parece feliz, mas a história desse universo não acaba por aí. A vitória dos Rebeldes foi na batalha, e não na guerra. O Império ainda possui uma quantidade imensuravelmente maior de naves, tecnologia, domínio territorial e influência ao longo da galáxia — o que é visto com mais detalhes na continuação do filme, O IMPÉRIO CONTRA-ATACA (1980, dir. Irvin Keshner). Desfecho positivo, mas com tons de desfecho negativo.

Uma situação similar é vista em O SENHOR DOS ANÉIS: A SOCIEDADE DO ANEL (2001, dir. Peter Jackson). No mundo fantástico da Terra-média, o protagonista, um hobbit (espécie fictícia criada pelo escritor J. R. R. Tolkien) chamado Frodo Bolseiro (Elijah Wood) se encontra na tarefa de jogar um anel mágico dentro de um vulcão. O artefato, herança de seu tio Bilbo (Ian Holm) e adquirido pelo mesmo em uma aventura passada, contém os restos da alma do maligno Sauron, e apenas a destruição de tal objeto fará com que o vilão seja derrotado para sempre. O desejo inicial do protagonista é a destruição do anel. O status de salvador da Terra-média, aqui, é mais uma consequência do que uma ambição.

Ao fim do filme, Frodo e sua comitiva — uma série de outros hobbits, elfos, seres humanos e anões que foram designados como sua equipe protetora — superam todos os obstáculos que encontram no caminho, entre capangas de Sauron e criaturas maliciosas que desejam pôr as mãos no anel, mas ainda estão longe de Mordor, localização do vulcão. A dita “Sociedade do Anel”, bem como a Aliança Rebelde de GUERRA NAS ESTRELAS, está apenas aproveitando uma vitória temporária, enquanto sabe que as forças antagônicas ainda estão em vantagem no conflito. Desfecho positivo, mas com tons de desfecho negativo.

Como um leitor atento pode perceber, esse tipo específico de desfecho acaba se tornando popular entre franquias. GUERRA NAS ESTRELAS foi planejado como um só filme, mas após o sucesso comercial da história, logo deram-se início as produções de dois filmes subsequentes. O SENHOR DOS ANÉIS: A SOCIEDADE DO ANEL é o primeiro de três filmes baseados na obra do escritor J. R. R. Tolkien. A presença de um desfecho positivo, mas com tons de desfecho negativo, é suficiente para que o protagonista se encontre satisfeito na realização de desejos à curto prazo e no alcance de um status cujo escopo não parece tão grande quando posto em perspectiva com os filmes que darão continuidade àquela primeira história.

Um adendo importante é o de que o tom do desfecho depende totalmente da perspectiva tomada pelo filme. Se ele é bom, ruim, bom com tons de ruim ou ruim com tons de bom, depende exclusivamente da situação do protagonista.

AS CAUSAS DO DESEJO DE STATUS NO CINEMA

Dentro do mundo fílmico, a ambição pode ser causada por uma vasta gama de fatores, que vão desde o vislumbre de status financeiro até o ingresso em uma antiga ordem de cavaleiros da paz da qual o falecido pai do protagonista era pertencente. Seguem listadas cinco causas para esse desejo segundo os conceitos de Alain de Botton, bem como um exemplo cinematográfico para cada uma delas.

FALTA DE AMOR

Filme: NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA (1977, dir. Woody Allen)

O filme abre com o protagonista Alvy Singer (Woody Allen) em uma quebra de quarta parede, encarando diretamente a tela e declarando que sua vida amorosa parece fadada ao fracasso. A cena teoricamente se passa em um espaço cronológico situado após os eventos principais da trama, tornando NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA, de certa forma, um flashback em longa-metragem. Essa cena, entretanto, não deve ser subestimada, pois fundamenta os alicerces para todo o filme, no qual o personagem de Alvy é mostrado como arrogante e neurótico, incapaz de sustentar um relacionamento duradouro.

A falta de amor é o que o motiva a desejar o status de se tornar o par romântico de Annie, uma moça que conhece por intermédio de um amigo em comum. O relacionamento acaba sendo infrutífero graças às características supracitadas na personagem de Alvy, que culminam no afastamento de Annie e no consenso de que os dois devem permanecer apenas amigos.

ESNOBISMO

Filme: ÂNSIA DE AMAR (1971, dir. Jules Feiffer)

A trama gira em torno de Jonathan (Jack Nicholson), um homem cujo desejo inicial aparenta ser encontrar a mulher perfeita com quem ele poderia se casar e assumir o status de um bom marido.

Uma sinopse incompleta como a aqui feita pode não transparecer o esnobismo como motivação para um desejo de status. Contudo, ao longo do filme, é descoberto que Jonathan é um homem rude, machista e obsceno, e seu verdadeiro prazer reside em humilhar mulheres verbalmente com ofensas aos seus corpos e personalidades. Seu verdadeiro desejo, revelado de forma chocante é, através do esnobismo generalizado ao sexo feminino, afirmar seu status como um “macho alfa”. Isso ecoa ironicamente quando a narrativa fecha em um flash forward que mostra um Jonathan bem-sucedido financeiramente, porém fracassado nos aspectos românticos e carnais. O protagonista termina solitário e sofrendo de impotência sexual.

EXPECTATIVAS

Filme: UM SONHO DE LIBERDADE (1994, dir. Frank Darabont)

Andy Dufrense (Tim Robbins) é um banqueiro preso por um crime que alega não ter cometido: o assassinato de sua esposa e do suposto amante da mesma. Convencido de que é inocente, o desejo de Andy é sair da prisão e retornar à liberdade do mundo fora da prisão.

A virada na trama ocorre quando é revelado que, durante o período de décadas abrangido pela história, Dufresne estava secretamente cavando um buraco na parede de sua cela com uma minúscula picareta originalmente designada para a confecção de estatuetas de pedra. O buraco estava sendo coberto o tempo todo por um pôster da atriz Rita Hayworth, e um dia, após mais de vinte anos encarcerado, o protagonista rasteja pelos esgotos subterrâneos da prisão rumo à fuga.

O que ocorre para o espectador é a revelação de que a expectativa que mantinha a personagem principal serena e esperançosa não era a de concluir sua sentença legalmente, mas sim a de terminar a escavação de seu túnel clandestino e finalmente conquistar o tão sonhado status de homem livre.

MERITOCRACIA

Filme: PERDIDO EM MARTE (2015, dir. Riddley Scott)

O astronauta Mark Watney (Matt Damon) é dado como morto e abandonado inconsciente no planeta Marte por sua equipe. Quando acorda, manda um sinal de resgate para sua central de comando na Terra, que escuta, porém informa de que o resgate demorará anos para alcançá-lo e que, durante esse período, ele terá que sobreviver utilizando recursos oriundos da base abandonada de sua equipe.

O desejo de Watney é a subsistência, com o objetivo de estar vivo quando a equipe de resgate chegar e assim adquirir seu status de astronauta bem-sucedido e, sobretudo, sobrevivente. Ele faz isso através de trabalho árduo: ao longo do filme, o protagonista coloca todos os seus conhecimentos manuais e científicos em prática, para cumprir pequenas metas que, juntas, garantirão sua sobrevivência. Isso engloba os fatores mais complexos, como a produção de comida em um ambiente aparentemente estéril, e mesmo os mais simples, como garantir que a base esteja bem vedada para assegurar sua sobrevivência em um território hostil.

A sobrevivência de Watney é motivada inteiramente pelos conceitos de meritocracia: seus esforços compensam ao fim do terceiro ato quando seu desejo de ser resgatado é realizado e ele atinge seu status de astronauta competente e implacável contra as adversidades.

DEPENDÊNCIA

Filme: TRAINSPOTTING (1996, dir. Danny Boyle)

Baseado no livro homônimo de Irvine Welsh, o longa narra um período na sofrida vida de Mark Renton (Ewan McGregor), um viciado em heroína que se encontra em uma vida de dependência química e psicológica, convivência com pessoas que ele considera insuportáveis, estoicismo e mesmice. Renton decide dar um basta nesse cotidiano autodestrutivo e largar de vez a heroína.

O ponto de mudança na vida da personagem principal que motiva a ocorrência do restante a trama é justamente o momento em que ele decide largar as drogas. Isso não é tão fácil quanto parece: Renton lida com crises de abstinência, alucinações e conflitos interpessoais em sua odisseia pessoal para desprender-se do vício. Seu desejo de alcançar o status de ex viciado reabilitado é motivado, indubitavelmente, pela dependência propriamente dita. Não haveria conflito para largar as drogas se não existissem, primordialmente, as drogas.

Após confrontar a dependência, a abstinência e o convívio com amizades tóxicas, o protagonista finalmente consegue libertar-se desse estilo de vida ao final do filme, quando aplica um golpe em seus antigos amigos e foge com dinheiro oriundo do tráfico, rumo a um novo começo.

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