Uber, AirBnb, iFood… Afinal, o que são marketplaces?
Por definição, marketplaces são modelos de negócio feitos para conectar as necessidades de 2+ grupos de usuários (ex: compradores e vendedores).
Hoje, existem vários tipos de marketplaces online: de bens e serviços; generalistas e especializados; criadores de novos mercados e agregadores de velhos; entre muitos outros. Mesmo com tantos tipos, todos os marketplaces possuem uma coisa em comum: são criados para diminuir a entropia entre as partes envolvidas. Ou seja, corrigir ineficiências do mercado que atuam.
De modo geral, estruturas de mercado podem ser encontradas em várias situações diferentes do cotidiano: um pai procurando um colégio para o filho, um jovem procurando um emprego, um paciente procurando um rim, etc. Todos estes exemplos envolvem 2+ partes cooperando de alguma forma.
Um marketplace eficiente deve ser:
Denso — Ou seja, deve envolver muitos “compradores e vendedores”. Em um marketplace denso, onde consumidores tem acesso a vários ‘vendedores’ prontamente, é muito difícil fazer um mal negócio. Por outro lado, vendedores são expostos a muito mais ‘consumidores’, que por sua vez são atraídos por um ambiente de negócio mais eficiente (é justamente para manter o mercado “denso” que a bolsa de valores abre as 10h e fecha às 18h todos os dias). É também dessa densidade que nascem os "efeitos de rede".
Descongestionado — Mercados que envolvem ofertas e trocas de informações requerem sistemas de comunicação eficientes. É por isso que os smartphones têm sido importantes para tantos negócios na era da internet: eles encurtam o tempo de resposta. Por exemplo, o Uber só foi concebido por que os smartphones encurtaram o tempo para se reservar carros de luxo que estavam ociosos. Portanto, boas oportunidades se encontram sempre quando existem recursos que são desejados e subutilizados, e que levam muito tempo para serem encontrados e adquiridos (ou seja, um congestionamento).
Seguro e Confiável — O que seria de um mercado que não entrega o que vende com segurança? É justamente para manter a segurança do seu mercado que os cartões de crédito asseguram todos os clientes que o valor recebido será pago, mesmo em casos de inadimplência do consumidor. Da mesma forma, a confiabilidade tem enorme peso: quando você pede um carro no Uber, você quer saber não apenas que terá uma corrida segura, mas que o carro estará disponível prontamente na hora que você precisa.
Simples de usar — Um marketplace simples de descrever não significa que é simples de usar. Vamos relembrar, por exemplo, os leilões do eBay. Você é convidado para enviar um lance máximo em um produto que tá querendo comprar. O eBay promete usar esse número para dar o lance em seu lugar, mas usando o mínimo possível para que a compra seja feita. Outros apostadores podem ver seu lance e usar para testar seu limite ou simplesmente aumentar o valor do leilão no último minuto. Agora você precisa estrategizar o valor do seu lance para talvez conseguir o produto que você quer. Quando o sistema inibe seus participantes de revelar informações cruciais para seu funcionamento, então esse mercado pode ser considerado complexo e ineficiente (não é a toa que o sistema de leilão foi engolido pelo sistema de preço fixo da Amazon).
Desenhar um mercado eficiente é uma tarefa contínua. Alguns podem sofrer por conta de regras e regulamentações que ainda serão criadas; enquanto outros podem sofrer por regras que ainda serão mudadas. Bem como, mudanças de comportamento podem surgir por conta da criação de novos mercados (por ex: a criação do smartphone criou milhares de novos comportamentos em seus usuários).
Podemos comparar, por exemplo, diferentes mercados à diferentes linguagens. Ambos são ferramentas criadas pelos humanos para nos ajudar a organizar, cooperar e coordenar uns aos outros. E, pela mesma razão que a linguagem não está sob nosso controle (elas resultam da interação entre milhões de usuários), os mercados não podem ser completamente controlados, mas sim redesenhados de modo a se consertar o que está visivelmente ineficiente.
