A Experiência Campus Party


Na última semana de janeiro aconteceu a Campus Party Brasil 9, o maior evento de tecnologia da América Latina. Foram 6 dias de imersão total em uma experiência única, na qual jamais havia experimentado.

A campus é muito mais que um evento de tecnologia e entretenimento, com suas palestras, competições e comemorações. Se trata acima de tudo de uma comunidade. Esse é o sentimento que todo campuseiro compartilha ao passar uma semana vivendo essa experiência, onde pessoas de todo o país (e até de fora) estão juntos compartilhando experiências, ideias e inspirando um ao outro. Não existe outro lugar onde se possa encontrar tantas pessoas geniais por metro quadrado.

Lá estava eu pela primeira vez, completamente fascinando e perdido com tanta informação. Foi difícil manter o foco, que em meu caso foi a Maratona de Negócios.

A Maratona é uma competição organizada pelo SEBRAE no espaço Startup&Maker’s, com apoio de outras organizações como a aceleradora SEED. Para participar dessa competição foi necessário uma prévia inscrição, na qual foi focada em 5 seguimentos: e-commerce, economia criativa, educação, saúde e mobilidade e urbanismo na qual inscrevi o TAMSE, startup da qual faço parte. Então, fiz a inscrição no começo de janeiro e uma semana antes do evento saiu o resultado, e felizmente fomos um dos 5 selecionados na categoria. Um ponto interessante dessa competição é que projetos que ainda não saíram do papel também têm chance de participar. Embora o TAMSE já estive startando, ainda nem tínhamos um protótipo.

Um dia após a abertura do evento foi iniciada a maratona. Lá no cantinho da área Startup&Maker’s foram ocorrendo diversos workshops com o intuito de capacitar nós empreendedores. Foram palestras exclusivas sobre como montar um plano de negócio, um model canvas ou até como preparar e realizar um pitch. Tudo ocorria simultaneamente a diversas outras palestras incríveis, então era um desafio impossível acompanhar todas. Felizmente para continuar na maratona apenas 2 dessas palestras eram obrigatórias.

Além de palestras, tínhamos mesas recheadas de mentores disponíveis durante toda a semana totalmente dispostos a nos ajudar no que precisássemos. Eram em grande maioria empreendedores com experiência ou agentes do SEBRAE. Que davam diversos auxílios, como por exemplo montar o CANVAS ou aperfeiçoa-lo.

Sexta-feira, dia 30, penúltimo dia de evento, às 20h ocorreu a palestra de sobre como preparar e realizar o pitch, e às 22h começava a fase eliminatória onde somente 3 startups de cada categoria passariam. Todos tiveram de realizar um pitch de 60 segundos sem o auxílio de slide. Para alguns como eu, essa era a primeira vez que realizava um pitch e nos deram apenas 30 minutos para preparar, ensaiar e apresentar. Então era uma cena comum passar por lá e se deparar com pessoas olhando para o reflexo na vidraça e falando só. Eu particularmente não assisti a quase nenhum pitch dos outros empreendedores, pois aproveitei até o último minuto para ensaiar. Gravava o pitch com meu celular e o escutava. Repetir isso por quase 1 hora até que chegou a minha vez, fui um dos últimos. Não foi fácil apresentar a ideia, seu potencial e impacto social em apenas 1 minuto. Mas consegui, fiz o pitch para uma bancada de 5 agentes do SEBRAE no qual me avaliaram em diversos aspectos.

Após o termino das apresentações, todos esperaram por volta de 40 minutos para saber o resultado, quais startups passaram para final. Os avaliadores fizeram as escolhas com bastante competência, seguindo a risca a proposta da competição que era o impacto social na sociedade. A categoria Mobilidade e Urbanismo foi a última a exibir o resultado, que era apresentado numa tela e aplaudido por todos. Começaram com a startup Sender, depois a Movme. A essa altura já havia perdido as esperanças, pois meus concorrentes estavam com o projeto mais bem encaminhado, porém quando chegado a hora do último classificado, sentia uma apreensão, ainda mais quando perceberam que tinham esquecido de adicionar o slide. Foi uma cena ironicamente engraçada para mim, como uma pegadinha como minha apreensão. Até que veio o resultado e o TAMSE foi classificado!

Parte dos finalistas

Surpresas a parte, foram para os avisos… já passava-se das 12h da madrugada e informaram que a final seria um pitch de 5 minutos com o uso do slide, a ser realizado num palco dentro do Startup&Maker’s às 10:30h e tínhamos de entregar o arquivo do slide às 9h. Nesse momento lembrei que nunca tinha preparado um slide e o tempo definitivamente não estava a meu favor.

Após a boa e desesperadora notícia, corri atrás do meu sócio que estava participando de um hackathon, contei a novidade, olhei para o relógio e comecei a calcular… tinha que comer (estava morrendo), tomar banho (estava grudento,o lugar faz um calor infernal), preparar o roteiro da apresentação, o slide, ensaiar e por último dormir. Nesse momento tinha apenas 9h horas disponíveis e infelizmente dormir era uma opção a ser descartada. Então, comprei uma gordurosa (e cara) pizza de calabresa com coca-cola, escolhi uma mesa, comi enquanto me inspirava assistindo a magistral apresentação do primeiro iPhone, com o mestre Steve Jobs e comecei a trabalhar. Passei quase 2h escrevendo o roteiro enquanto lutava contra o sono, mais umas 2h para preparar o slide. Depois fiz todas outras coisas que precisava, como banho e etc. A essa altura já tinha amanhecido e eu evitada ficar perto de um sofá, pois o desejo de dormir era gigante. Tomei vários copos de café, comi algo e comecei a ensaiar. Não demorou muito para chegar às 9h, me dirigi ao Startup&Maker’s entreguei o slide e voltei para ensaiar até às 10:30h, quando tive que retornar para a grande final.

Dessa vez a ordem foi inversa, minha categoria foi uma das primeiras a apresentar. Assisti uns 5 pitchs e logo concluir o quão ruim seria minha apresentação. Até que enfim chamaram-me ao palco, me passaram o microfone e o controle do slide. Estufei o peito, olhei para a bancada avaliadora agora formada por 5 influentes empreendedores, para a pequena platéia de 50 pessoas e deixei de lado todo o nervosismo de iniciante e comecei a falar. Falava, olhava para o público, encarava a bancada para notar a reação dos avaliadores e slide após slide concluía minha apresentação. A última linha do roteiro do qual ainda lembrava foi interrompida pelo final do cronometrado 5 minutos. Após, tive 1 minuto e meio para responder duas perguntas dos avaliadores, na qual pude explicar melhor o conceito da ideia e o modelo de negócio. Até que o tempo novamente se esgotou, fui aplaudido com não muito entusiasmos (não foi tão mal assim), me sentei e acompanhei os outros empreendedores. A maioria demonstrou melhor desempenho, fato que me constrangeu um pouco, mas serviu-me como um grande aprendizado. Sair de lá ciente de que não iria ganhar e que tenho muito a aprender.

Eu em meu pitch final

O resultado final de quem são os grandes vencedores ocorreu durante à noite, no palco principal, com a platéia bem acima de mil pessoas. Com jornalistas apontados a espera dos felizardos. Dentro de mim vinha o sentimento de “e se”, mas o pensamento lógico me levava a conclusão de que não iria ganhar. Em cada categoria era chamado um único vencedor, o suspense era grande até que anunciaram que a startup vencedora, que foi a… Movme!

Infelizmente não foi dessa vez. Sem querer fazer discurso de bom perdedor, mas já fazendo… no final das contas o mais importante foi a experiência adquirida em um evento dessa magnitude. Posso garantir que foi uma maravilhosa experiência!

Mais tarde no mesmo dia, os organizadores publicaram a tabela dos vencedores onde informaram não só o grande felizardo, mas também o segundo e terceiro colado de cada categoria. E lá estava o TAMSE em segundo lugar. Mesmo não subindo ao palco e nem sendo entrevistado. Ganhamos cursos online ligados a gestão empreendedora e inovação — no qual ainda estamos no aguardo.

Nessa mesma noite ocorreram outras premiações — até meu sócio ganhou um hackathon. E tudo se encerrou com o show da Detonator e as Musas do Metal.

Esse artigo foi escrito a pedido do Danilo Caetano do Acarajé Valley, afim de mostrar minha experiência no evento para a comunidade de empreendedores da Bahia.

Ressalto o quão incrível é a Campus Party, e tudo que escrevi aqui não demonstra nem 5% do que realmente é. Aconselho a todos que se interessam por tecnologia, design, ciência, empreendedorismo e entretenimento que se preparem para a próxima edição, que comemorará 10 anos de Campus Party Brasil e será muito maior e mais fantástica que qualquer outra!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.

Responses
The author has chosen not to show responses on this story. You can still respond by clicking the response bubble.