Um olhar crítico sobre a Venezuela que a esquerda não faz
A crise venezuelana e suas consequências.

A crise enfrentada pela Venezuela, sob o regime de Nicolas Maduro, vem se arrastando e abre-se o debate de até que ponto a esquerda vem e pode a vir defender ou não as medidas do Estado. Ao fazer uma análise crítica podemos cair no abismo dos xingamentos da esquerda autoritária, que permeia o pensamento stalinista, e pasmem, do regime norte coreano de Kim Jong-un, e que chancela as decisões tomadas pelo governo venezuelano.
Entretanto, cabe a nós libertários a crítica cirúrgica, na defesa da liberdade, contra um Estado autoritário e contra a intervenção imperialista que visa obter vantagens econômicas de um território já falido desde a queda substancial do preço do petróleo, que era a principal fonte econômica da Venezuela. A defesa de um lado, ainda que se aproxime de uma teoria ideológica, que não é a anarquista, não elimina os erros daquele o defende. Pelo contrário, legitima o avanço de medidas anti-libertárias, contra a humanidade e contra o livre direito da pessoa humana. Não o direito no modelo jurídico, que está positivado no ordenamento daquele país, e que portanto não abre brechas para uma discussão legalista, ainda que as leis sejam, independente do modelo politico, injustas e criadas por uma elite que representa seus interesses particulares em detrimento do bem coletivo. E sim, no direito em sentido humanitário, das liberdades coletivas e individuais, que nós galgamos para chegar em sua plena eficácia.
Para o regime de Maduro não importa a coletividade, as liberdades do pensamento e da pessoa humana, e sim a perpetuação de seu poder em um famigerado Estado autoritário e que insiste em se auto intitular socialista. Para isso utiliza-se da violência, monopólio estatal, da coerção através da lei e do poder judiciário. Usa-se da repressão da Policia Nacional Bolivariana e de grupos paramilitares para assassinar seus opositores, não hegemônicos, a fim de justificar a defesa contra uma dita interferência imperialista no processo político do país, como se esses manifestantes estivessem conscientemente trabalhando para o governo do Estados Unidos.
O regime não assassina pessoas como Lilian Tintore, Leopoldo Lopez, Maria Corina Machado, Capriles e tantos outros nomes famosos da oposição de direita. Pelo contrário, são nomes de anônimos que aqui não aparecem como sendo de direita ou esquerda, mas que de fato estavam nas ruas contra um Estado autoritário, que impõe uma constituinte com o único objetivo de aumentar o poder e sua repressão contra aqueles que os opõe.
Não existem mudanças no cenário politico e econômico contra o capital sem o apoio de pelo menos parte de sua população menos favorecida. O governo sempre se torna radicalmente opressor tanto quanto o sistema econômico vigente, e não consegue muda-lo por completo já que depende da ordem econômica externa para manter os privilégios do alto escalão das instituições do Estado. Veja, o presidente, ministros, secretários, juízes da suprema corte, e tantos outros mantém um padrão de vida elevado se levado em consideração a maioria da população que sofre com a escassez de alimentos e produtos básicos. Ou seja, sacrifica os mais pobres, para uma possível criação de um auto denominado socialismo, mas que mantém os privilégios de um circulo de elite de uma dita esquerda. Esse panorama nos remete ao livro de George Orwell, em A Revolução dos Bichos, na qual uma seleta raça de animais (os porcos), com o discurso de justiça social, levavam outros animais a trabalharem mais, comendo pouca ração e essa elite comia as melhores comidas e faziam acordos as escondidas com humanos externos para manter uma boa vida.
Para os anarquistas o Estado sempre se torna um entrave da revolução, visto que o poder que ele detém vicia qualquer tipo de tentativa de mudança benéfica ao coletivo. Não existe revolução que parte do Estado. Todo e qualquer tipo de movimento revolucionário parte do coletivismo, do concesso de maioria ou parte de uma população, e para nós os menos favorecidos. Todo e qualquer tipo de movimento revolucionário iniciado por um Estado e unilateral é perigoso, e deve ser visto com desconfiança. Afinal, quem está no poder não quer sair do poder. E poder nas mãos do Estado é perigo.
