Como eu me tornei mais rico

A sociedade tem se tornado cada vez mais sofisticada. E mesmo esse considerável aumento de bens e produtos— de aparelhos eletrônicos à novas formas de entretenimento — não foram suficientes para nos tornar mais satisfeitos com a vida.

Um camponês na Idade Média tinha uma vida paupérrima. Passava fome, frio, e talvez seu bem mais precioso fosse um bezerro. Doenças frequentes aumentavam seu sofrimento. Compare isso com todas as coisas que você acumula em sua casa: televisão, computador, celular, mobílias para diferentes cômodos, roupas que nem usa, talvez um carro.

Você deveria se sentir mais realizado tendo muito mais recursos, segurança e possibilidade de fazer coisas do que um cidadão médio de algum tempo atrás. Mas não é assim que acontece.

Porque logo você se lembra que não alcançou as mesmas coisas que aquele seu ex-colega de turma ou mesmo seu irmão, que parece ter conseguido ir muito mais longe. Ainda que você tenha bastante, parece que falta muito para ser feliz. Outras pessoas conseguiram coisas que você ainda não possui.

Estabelecer comparações com outras pessoas é natural. Fazemos isso a todo o momento, até para identificarmos aquilo que desejamos. Se o seu amigo fez uma viagem e parece ter aproveitado muito, por que você não pode querer fazê-la também?

Porém, ser rico na vida não envolve ter muitas coisas. Riqueza é ter o que desejamos. Cada vez que queremos algo e não podemos ter, nos tornamos mais pobres, seja quais forem os nossos recursos naquele momento. Cada vez que nos satisfazemos com o que temos, nos sentimos mais ricos.

Não importa quanto dinheiro você possua, se não puder com ele salvar uma pessoa amada de uma doença terminal, você se sentirá impotente diante da vida. E você pode ter poucos recursos na vida, mas se ao acordar de manhã olhar uma bela paisagem da sua janela, e poder ao menos durante aquele breve momento contemplar a sua beleza, você se sentirá feliz e realizado.

Há, portanto, duas maneiras das pessoas se sentirem mais ricas: adquirindo mais recursos para realizar o que desejam (ter mais dinheiro, por ex.) ou restringindo seus desejos (satisfazendo-se com aquilo que é alcançável). A sociedade moderna foi muito bem-sucedida na primeira opção, mas, por também inflamar constantemente nossos desejos ao oferecer cada vez mais possibilidades de consumo, nos tornou igualmente infelizes.

O preço que pagamos por esperarmos muito mais da vida do que nossos ancestrais é uma sensação de angústia perpétua, pois estamos sempre longe de ser tudo que poderíamos ser.

Descobrir as coisas que eu desejava e lutar por elas — apreciando quando eu as conquistava, sobretudo na companhia de meus amigos — fez com que eu me sentisse alguém muito mais rico e realizado, ainda que minha conta bancária não tenha se alterado tanto.