O que vai mal nos relacionamentos de Tinder, Instagram etc?
Nossa forma de nos relacionarmos mudou. Sair para conhecer gente nova numa festa ou num bar está antiquado. Se queremos conhecer alguém — para fazer amigos, ter um sexo casual ou começar um relacionamento — temos aplicativos e redes sociais.

O primeiro desafio é lidar com uma interação inicial reduzida à mensagem escrita — difícil de decifrar — sabendo que a maior parte de nossa comunicação se dá na verdade de forma não verbal, através de gestos, sorrisos, reações autênticas, que acabam se perdendo no texting.
Aplicativos como Tinder nos trouxeram a impressão que existe ao nosso dispor uma grande quantidade de pessoas para conhecermos. Basta deslizar para direita ou para esquerda que sempre haverá novas opções.
Já redes sociais como Instagram nos permitem editar nossa imagem, apresentando ao mundo apenas aquilo que nos parece interessante de ser visto. Porém, nunca sabemos exatamente o que em nós atrai ao outro, e toda tentativa de controlar demais a experiência que outras pessoas têm conosco acaba criando um senso de inautenticidade que as afasta.

Esses problemas apenas refletem a forma como encaramos hoje os relacionamentos.
Há uma exagerada expectativa sobre o que podemos encontrar numa outra pessoa. Esperamos envolvimento demais com alguém que conhecemos faz pouco tempo, e, ao menor sinal de frustração, podemos deixá-la para procurar alguém cujo “encaixe” funcione melhor.
Como se o mundo do online dating fosse um grande jogo em que vamos experimentando até encontrar o par ideal. Se não está tão bom, basta trocar o jogador. Opções não faltariam.

Mas se ouvirmos as histórias de grandes amizades, relacionamentos e casamentos, perceberemos que se tratam de histórias de dificuldades e desencontros que as pessoas conseguiram superar juntos, e não de um encontro mágico que solucionou todos os problemas.
Amizades e relacionamentos dão muito trabalho. O tipo de trabalho que nossa geração está tentando evitar.
Numa cultura de um tempo apressado, julgamos excessivamente rápido o valor das outras pessoas. E logo elas são descartadas. Não por acaso há tanta ansiedade em querer se mostrar alguém interessante, como se não houvesse tempo para falhar. Um jogo que não se pode perder.

Mas quantos casais não podem contar uma história vergonhosa de quando ainda estavam se conhecendo? Quantas amigos se estranhavam antes de perceberem que podiam compartilhar tantas coisas?
Na contramão da gamificação dos relacionamentos, eu diria que os melhores relacionamentos surgem das imperfeições que aprendemos a conviver.
