O Segredo da Sedução

Se você quer aprender a seduzir as pessoas, você deve aprender com aqueles que fazem isso melhor: os políticos.

Em todas as eleições acontece a mesma coisa. Surge um candidato que através de sua imagem, seu discurso e sua postura consegue seduzir uma quantidade suficiente de pessoas para, num regime democrático, levá-lo ao poder.

Mas como isso funciona?

Imagine que o número de roubos e furtos numa determinada região tenha crescido muito nos últimos anos. As pessoas se sentem incomodadas e possuem a convicção de que algo precisa ser feito para mudar a situação.

Então surge um candidato que promete uma solução simples para esse problema — seja ela verdadeira ou não — oferecendo às pessoas a sensação de que ele é capaz de restabelecer a segurança que elas desejam. As intenções de voto nesse candidato crescem e logo ele conseguirá vencer as eleições.

O candidato mostrou às pessoas o que elas já desejavam.

Em nenhum momento está em discussão qual é a proposta mais racional ou qual talvez seja a mais justa. As pessoas são convencidas pela ilusão do que elas desejam ter. O candidato que consegue oferecer essa ilusão às pessoas seduz seu eleitorado.

Infelizmente, assim que a democracia funciona muitas vezes.

Mas esse não é um texto sobre política. Vamos ver como esse exemplo se aplica aos seus relacionamentos.

Se eu estou afim de alguém, porém esta pessoa não sente o mesmo por mim, é possível que eu me sinta injustiçado. Como nas eleições, eu posso me ver como o candidato que tinha as melhores propostas — as mais justas e racionais — mas que foi preterido por outro candidato que não era tão bom assim.

Ainda que eu acredite possuir as “melhores propostas” para o nosso amor, eu não fui capaz de seduzir a pessoa que eu queria. Meu adversário sim. Por quê?

Você caiu num clássico “John Hughes”

Diferente da política, nos relacionamentos não existem propostas melhores ou piores. Há apenas aquilo que as pessoas desejam.

A vida é muito complicada. Desconhecemos muitas coisas, inclusive a nós mesmos. Somos complexos, com muitas questões e dúvidas sobre nossas escolhas, potências e possibilidades. Não sabemos tudo que desejamos, apenas temos uma vaga sensação do que nos faz bem e daquilo que queremos evitar.

Quando encontramos alguém que parece representar o que desejamos, ou seja, me diz qual é o meu próprio desejo, somos tomados por um ou outro sentimento não muito antagônicos: inveja ou paixão.

Inveja porque isso que eu desejava para mim, e até agora desconhecia, o outro já possui. Logo, desejo ser como ele, mas antes preciso derrotá-lo.

Paixão porque isso que eu desejo, o outro já conhece. Logo, se estivermos juntos, poderei viver isso junto dele.

O senso comum não está errado em dizer que quando conquistamos certas coisas seremos apaixonadamente seguidos por algumas pessoas e odiosamente invejados por outras.

Pois em matéria de amor, não há nada mais afrodisíaco que o nosso próprio desejo desconhecido. Encontrar alguém que pareça dominá-lo nos faz inevitavelmente cair nas tentações de afetos intensos, de ódio ou amor (que geralmente andam muito próximos).

Portanto, se você quer ser sexy, faça muito bem aquilo que você sabe fazer, e será irresistível àquelas pessoas que desejam-lhe. Mas se isso não atrair alguma pessoa em particular, é porque não havia sentido mesmo vocês estarem juntos desde o princípio.