Longe

Como pode tudo que passou

Ser só passado?

Como pode nós dois sermos

Só estranhos lado a lado?

Qual o indício, qual o sinal,

Que mostra o amor convertido

Nesse mal?

Você ficou numa caixa, em rascunhos

Cadernos, fotografias difíceis

De acessar. Em um sonho doloroso,

Não requisitado.

Queria te perdoar, mas ainda dói demais

E não sei quando vai cessar.

Dentro de mim, insisto em te encontrar.

Você se foi, quando ainda estava aqui.

Você sumiu bem do meu lado.

Você não era mais.


Nunca trocamos uma palavra.

Talvez alguns olhares furtivos

e despropositados.

Olhares de uma ansiedade generalizada.

Cantava em meu sonho uma canção MPB.

“Na fotografia, estamos felizes”.

De surpresa, tua voz me acompanhou.

Cantou do outro lado,

como se o borrão do sonho

fizesse de ti uma aquarela.


Mais só do que

O nó que dá a volta

Em si, eu ainda

Tenho o que você me deu.

E por mais que eu já não seja

Mais seu, guardo aqui

Passagens fixas para

O que fomos um dia.

Não é apego,

É cicatriz.

Tão bonita e dolorosa.


Desabitado

Esperando o prédio cair,

Quem desmoronou fui eu.

Eu tenho um sol,

Eu tenho uma lua,

Que me seguem,

Mas não existem.

Eu nunca tive você.

Ninguém nunca tem.

Mesmo assim,

Sempre penso que não

Sei mais sentir teu cheiro.

Mesmo assim, penso como

É triste qualquer desabamento.


Já faz 7 anos,

desde quando eu achei,

pela primeira vez,

que morava numa música

do Kings of Convenience.

Passou e passa rápido.

Não fiquei popular,

nada mudou tanto assim.

Vivi alguns amores,

perdi um pouco de mim.

Os acordes não mudaram

e as músicas de fim de álbum,

semiconscientemente apreciadas,

hoje são redescobertas.

Sempre quis ir a uma praia

meio brasileira, meio norueguesa,

com aqueles amigos que nunca

voltam pra casa.

Sempre quis ir mais longe do

que os fones de ouvido

poderiam me levar.


O que nossa vida se tornou?

O que se tornou?

O entorno que tomou?

O que nossa vida tem se tornado?

De ponta-cabeça.

Um tornado em nossa vida.

Um terno sem ternura.

O que nossa vida tem tomado?

A tomada da nossa vida.

Um tom já sem vida.

Meritocracia.


Quando eu tinha 8 ou 9 anos de idade, fui à capital (eu morava no interior). Não sei ao certo sobre do que se tratava a viagem. Talvez tenha sido mesmo só a passeio. Quando cheguei no destino, fiquei hospedado na casa de alguns parentes. Fui à praia, bebi refrigerante e água de coco, comi chocolate Galak e andei de fusca. Fiz algo também que não costumava fazer — usar elevadores. É, no interior do Ceará, geralmente, não existem grandes prédios, principalmente 20 anos atrás, logo, elevadores são coisa de filme. Lembro que a tentação em apertar os botões correspondentes…


Os textos deste espaço nascem como escrita pessoal, subjetiva, íntima. É interessante então que se adicione todo tipo de ressalva, aspas e exceções no que aqui for dito. Todo texto é, obviamente, escrito para ser lido por alguém, nem que esse alguém seja o próprio autor do texto. Então, esse texto é pra mim, mas, se por acaso, você, desconhecido ou conhecido, o estiver lendo, espero que essas palavras acrescentem alguma coisa de útil à tua vida. Dito isso, vamos seguir.

Não existe amor. O que existe são amores. Assim como pessoas. Cada amor existe da sua própria maneira, com…


Pela janela,

um pássaro azul.

Visitante corriqueiro,

ainda assim, desconhecido,

de um planeta longínquo.

Massa de terra que se extinguiu,

estrela que morreu.

Minha janela aberta

para uma noite infinita

e recebo a visita desse

pássaro azul.

Não me conta,

não me canta,

nem me encanta.

Apenas sorve

minha água.

O pássaro azul

fez gaiola no buraco

negro do meu peito.


O nosso amor se perdeu

pelo mundo.

O nosso amor se perdeu

pelos cantos, pelos livros

e calçadas, pelos ônibus

e viagens, pelos parentes

e caminhadas.

O nosso amor quis sair

por aí, sem pedir licença.

O nosso amor se perdeu.

Quis esparramar,

o nosso amor.

Mas errou o caminho de volta.

A gente acha que se perder

é de uma vez.

Mas o nosso amor se perdeu,

e a gente nem percebeu.

Igres Leandro Sátiro

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