Nada

Pela janela,

um pássaro azul.

Visitante corriqueiro,

ainda assim, desconhecido,

de um planeta longínquo.

Massa de terra que se extinguiu,

estrela que morreu.

Minha janela aberta

para uma noite infinita

e recebo a visita desse

pássaro azul.

Não me conta,

não me canta,

nem me encanta.

Apenas sorve

minha água.

O pássaro azul

fez gaiola no buraco

negro do meu peito.