Transição :O grande mistério de ser várias coisas e ser nenhuma

TRANSIÇÃO: Mudança de uma parte para outra, ou uma passagem ou movimento.

Imagine sua vida tranquila, razoavelmente organizada, tudo dentro do socialmente esperado. De repente, nada faz sentido. Você começa a se questionar sobre atitudes e porquês, os quais nunca tinha refletido antes. Logo depois vem o vazio, falta de identificação em quem era antes disso tudo, olha dentro de si e pergunta “quando me tornei assim?”

Então, essa falta de pertencimento começa a ficar gritante. É como se tivesse vindo caminhando por uma ponte e ficasse isolado, pois abriu-se um buraco e tudo que você pode fazer é jogar-se para outro trajeto ou afundar. Não tem boia, não tem ninguém, apenas você. Todas as experiências passadas, fracassos, tristezas, coração partido… Cada uma dessas coisas que construíram o antigo você é uma pedra amarrada nos seus pés, braços, corpo, te imobilizando e afundando. E então você tenta leva-las o resto do caminho da ponte restante, mas esses pesos te impedem mais e mais.

Em algum momento, quando já está ficando desesperado descobre a única alternativa: livrar-se de todas as amarras, recomeçar. Mas se questiona se consegue, duvida da própria capacidade de reinventar-se. É como se os medos fossem você e o resto da sua personalidade dependesse deles para continuar à existir. Como se os pilares que te constroem fossem todas as características te afundam.

Finalmente, no meio do panico, o seu instinto de autopreservação grita: Resista. Você o ouve. Começa uma batalha contra si mesmo. Um lado rompendo as amarras que te prendem e o outro as atando de volta. Um lado batalhando para sobreviver e o outro quer continuar numa zona de conforto nada confortável.

Por fim, você consegue respirar novamente. Renascido, batizado pela água e esforço próprio, mais forte para lutar batalhas futuras. Livre, porém com cicatrizes. Pois, as pedras, mesmo afundadas no passado, ficam tatuadas em você como uma lembrança, um aprendizado.

FM