Precisamos falar sobre “ To the Bones”

Na sexta feira de madrugada, dia 14/07 estreou na netflix mais uma produção deles, e é um filme sobre anorexia e outros distúrbios alimentares. Logo que saiu o trailler, eu já me tremi toda de medo porque achava que seria mais alguma produção qualquer romantizando corpos perfeitos, doenças e etc, mas ao mesmo tempo eu me toquei de que precisava assistir isso, por se tratar da minha própria condição.
Assim como Ellen, a personagem de Lilly Collins (EU TE VENERO TANTO ❤) eu também tenho 20 anos, baixo peso e problemas com alimentação. No caso da Ellen, é anorexia nervosa, no meu caso é uma “desordem alimentar” que faz com que eu coma apenas uma lista totalmente selecionada a dedos de alimentos e rejeite o resto e isso me leva ao baixo peso e outros problemas em como consequência. Eu fui diagnosticada ainda criança, 3 anos, e meus pais me levaram numa psiquiatra e numa nutricionista na tentativa de ajuda porém nada funcionava,meu pai disse que ouviu da psiquiatra que em 4 anos eu estaria num estado muito critico da doença em si e não sobreviveria. Me levaram a todo tipo de profissional possível,todo mundo tentando ajudar mas claro que não funcionou muito. Continuei comendo pouco e ainda estou assim, é algo muito mais forte do que a minha própria vontade, meu corpo rejeita e eu não tenho controle sobre isso. Cheguei aos meus 15 anos pesando míseros 30 kg, algo muito abaixo dos padrões pra uma jovem dessa idade.
No filme, um garoto que Ellen conhece durante o tratamento tenta fazer com que ela coma um doce e isso me lembra de todas saídas com alguns poucos amigos, todo mundo torcendo pra que eu coma algo, os desmaios, os exercícios em excesso e isso doeu real. Ela passou por quatro internações e eu por uma até agora. A imagem final do filme me deu uma dor imensa porque eu me enxerguei ali com 15 anos de novo e uma magreza absurda, não que eu tenha mudado tanto assim, atualmente tenho 45 kg e to empacada ai faz um bom tempo, eu enxerguei ali o meu corpo de verdade pela primeira vez em 20 anos, porque na minha cabeça estava sempre perfeito. As roupas largas demais eram só um detalhe.
Eu to em choque até agora, mas ao mesmo tempo eu tô feliz de ver que não romantizaram e precisava compartilhar tudo isso. E eu quero que esse filme seja visto por todos, pra que entendam o quão difícil é lutar pela própria vida, que não é frescura e quanto é necessário que padrões sejam destruídos.

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