7 POEMAS DE ELISE COWEN

Tradução livre do original: IkaRo MaxX

Elise Cowen, uma dessas sensíveis & poderosas poetas esmagadas sob uma visão restrita de expressão literária. Elise cometeu suicídio aos 28 anos.

SEUS BRAÇOS EM TORNO DE MIM A NOITE INTEIRA

Seus braços em torno de mim a noite inteira
Acordo para me encontrar ali
Constrangida
Assustada
Não sabendo o que você tem segurado
Constrangida Assustada
Pela ternura que me segura
E uma vez que meus olhos abriram
Criação
Rasgando através de seu rosto
No ato de vir,
Eu não sabia que você parecia assim

Sozinho.
Tempo.
Tudo o que amo, preciso ser
Esconde em você.

*

EMILY(*)

Emily,
Venha no verão
Você vai tirar de você
 abelhas cheias de jóias
Que me picam
Vou me despir de meu fedorento
 jeans
De mãos dadas
 vamos correr do lado de fora
Olhar direto
 para o sol
Uma segunda vez
e pegarmos um bronze

(*) — a referência é feita à escritora Emily Dickinson, que teve marcante influência na escrita de Elise.

*

O PRIMEIRO OLHO

O primeiro olho abre-se pelo calor solar
 para olhar para ele
O segundo olho é rasgado por um
 boticário & apoiado com palitos de dente,
sistemas & palavras
e gosta de piscar nos espelhos
Eu só sei que pode haver mais porque
um dói quando eu penso demais

O primeiro olho é cego
não há outro

*

Allen Ginsberg junto com Elise Cowen, que fora sua namorada em seu “experimento heterossexual”. Elise datilografou poemas como “Kaddish”.

SENTADA COM VOCÊ NA COZINHA

Sentada com você na cozinha
falando de qualquer coisa
bebendo chá
Eu te amo
“O” é uma bonita, régia, perfeita palavra
Oh, desejo seu corpo aqui
Com ou sem poemas barbados

*

MORTE ESTOU INDO

Morte estou indo
Espere por mim
Eu sei que você estará
na estação de metrô
carregada com galochas, capa de chuva, guarda-chuva, avó
E sua simples singela resposta
para cada acepção
incorruptível instituição

*

O AROMA DOS CIGARROS DO SR. ROCHESTERS

O aroma dos cigarros do Sr. Rochesters
entre as flores
explodindo através
Estou tentando te sufocar
Pensamento delicado
Colocado
Frankenstein de delicada graça
Colocado por meu medo
E você
Graciosamente
leve-me pela garganta

*

A PELE CHEIA DE GRITOS

A pele cheia de gritos
eu penso
“Clava”
“Roselle sob a clava”
Rainha Vermelha do volte-ao-escritório
Quem me olha
Roselle de Bono

Então
Para Roselle?
Para mim?
Uma confusão de lágrimas sobre a máquina de escrever Real
Nutritiva Roselle

***

“Houve mulheres, estiveram lá, eu as conheci, suas famílias as internaram , elas receberam choques elétricos. Nos anos de 1950, se você era homem, podia ser um rebelde, mas se fosse mulher, sua família mandava trancá-la. Houve casos, eu as conheci, algum dia alguém escreverá a respeito.”

Gregory Corso, citado em “A Geração Beat”, de Cláudio Willer

Elise Cowen (1933–1962 ) foi uma dessas poetas muito talentosas surgidas no contexto da Geração Beat
Como a maioria dessas talentosas escritoras & poetas, suas vozes foram até pouco tempo silenciadas & suas estórias não chegaram a nós por conta dos recortes de gênero na História da Literatura. 
Algumas delas viveram, amaram, estiveram presentes & conceberam ideias que a boemia, a vanguarda & a contracultura assimilaram. 
Algumas enlouqueceram, outras morreram cedo — todas elas foram injustiçadas em seu papel de protagonistas. 
Está mais do que na hora de deixarmos essas vozes chegarem até nós & relatarem suas vivências, experiências, pensamentos, seu percurso na Vida & na Linguagem.

Mais por aqui: https://blocodenotasaleatorias.wordpress.com/2015/04/07/mulheres-da-geracao-beat-o-indizivel-nos-cadernos-de-elise-cowen/
http://tinyletter.com/asminanahistoria/letters/as-mulheres-da-gera-o-beat
https://entropymag.org/elise-cowen-poems-and-fragments-by-elise-cowens/
http://nodeoito.com/garotas-movimento-beat/
http://deliriumnerd.com/2017/03/30/livros-leia-mulheres-poetas-da-geracao-beat/
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