CIÊNCIAS INEXATAS

Transbordar é bem a expressão exata. E que bom que ‘matchou’ com seu café & seu cigarro, ainda com os olhos preguiçosos ganhando corpo no primeiro hálito das horas. “Esse tanto a ser reinventado que brota dos dedos” move, por dentro das cavernas por onde o sangue migra, tudo o que a percepção cria. Você acrescenta & muito às coisas que crio, que tenho criado, nunca tive dúvidas. O seu dito sempre será aqui transfigurado & transposto. É o que você precisou com “incitamentos à inspiração em fluxo”, essa atitude espontânea diante de si & do outro, essa atitude de pegar as palavras & arremessá-las ainda mais longe, entende? Formando um cordão infinito, uma guirlanda nas estrelas, um caminho de sensibilidades que tange a pele & o sonho. É assim que vivemos “num elogio à imaginação”.

Aparte o espanto & desvendemos — em mergulho — essa possibilidade de estilo cuja mitologização apreende a força simbólica & a instiga, em que a vida & a obra se fundem tão completa & densamente que incendeia os minutos vividos. E incendeia com sutileza, com magnânimo mistério, empreendendo jornadas & pesquisas, aventura lúdica, transgressão moral, expansão & canibalização dos sentidos.

Linhas de fuga, mas também, linhas de encontro, de fusão que não aniquila, mas que retroalimenta as diferenças expandidas, & a cópula de contrários sagrados.

Com tuas linhas viajo, como dizes, incrédulo &, agora mais do que nunca, atento.

E aqui faço o convite para a viagem franca, para o carinho sincero, para a não-pressão das coisas, o borbulhar infinito borboleteando o universo. Às longas distâncias & próximas proximidades, estamos garantidos de perscrutar & miasmar experiências sem condenações possíveis.

Conexões transformadoras que nos guiam para novos estados de ser. Sem fogos inquisidores, só os artifícios da estética viva!

A chave do teu sonho, após me ler, diz muita coisa: & você, mais desperta & atenta que nunca, abriu coisas incríveis ou se permitiu abrir a partir do contato mais real & visceral comigo, seja em palavras ou presença. E deixou isso reverberar & se transfigurar em literatura, em poesia. Nosso encontro nos fez desabrochar, sem dúvidas & sob os sinos de outra maturidade.

Nada mais pode nos soar estranho, ou tão bélico, ou tão frágil, que já não nos tenha pertencido antes sem o sabermos. Só se escreve com o corpo & a alma inteira. E você agora sabe que corpo & alma são o mesmo. Não há tais abstrações ou terrenos, espaços o espaços abertos que demanda nosso preenchimento.

E sim, eu te entendo.