EMBRIÃO

esse corpo-chama
turbulência de sutil emergência
no oco do tempo
navega sem rumo
entre os destroços dos conhecidos astros
& dos universos colonizados
com a impaciência dos sátiros
lançando anzóis na existência
à medida que apaixonados
lançam-se miradas & beijos

& toda a solidão
se prende na ponta de sua paixão
pescadora
& o próprio mar se dissipa
formando junto de seu corpo
o casulo onde o futuro
é um frágil embrião

na palma da sua mão
mapa-múndi da confusão
aleph em que todos os destinos
são traçados
& descosturados
jaz o hálito da marcha
& da dança
a semente de qualquer mudança

12.07.2012