QUEIME O PRESIDENTE

escrevo para apunhalar a vida 
para torná-la mais do que um esqueleto borbulhante 
dentro do terno 
ou das molduras 
& oficinas literárias

o sol se masturba no horizonte 
as formigas são hipnotizadas pelo glúten

as cotovias 
cegas como morcegos 
deixam o hálito manchando os postes 
como sombras de um pesadelo

de onde nos sobe essa frequência divina 
essa vontade de quebrar o bar inteiro 
& tocar fogo nos presidenciáveis?

e transformar logo em seguida 
usando pó de anjo 
os cacos & a alma 
numa paisagem de cabelos-de-anjo
em que cavalos abandonam o porte musculoso 
para entender o drama de ser formiga?

essa fome 
instalou em meus ossos 
pianos de dinamite

& a cada tensionamento 
entre as janelas & os pixels 
um fedor de maravilhas sobe 
fodendo a página pelas bordas

no meio 
deixo a tomar sol 
a alma da ferrugem

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