“Kidila” e a importância de termos Africanos em IT.

A atribuição de nomes a objectos, pessoas ,animais, marcas etc. , é uma atividade frequente e habitual no dia á dia das nossas vidas. Escolher ou pensar em um nome pode numa primeira vista parecer uma tarefa fácil , mas definitivamente também tem o seu grau de dificuldade.

No caso de atribuir nomes á seres humanos, temos situações em que alguns pais têm a certeza do nome, logo no primeiro dia do nascimento do seu filho ou outras vezes após algumas semanas. É caso para dizer que, se para nomear algo ou alguém fosse simples, com certeza nunca levaria muito tempo a fazê-lo. Mas aí poderiamos nos perguntar o seguintes: “O que torna difícil a escolha de nomes ?

Para esta pergunta existem vários motivos. Muitas vezes depende da cultura, sexo, origem, etnia ou as vezes do grau de criatividade(nomes excêntricos e invulgares), só para citar estes. Seja qual for o motivo da escolha do nome, todos desejam que a recepção ou o grau de satisfação do nome escolhido seja positivo ! No mundo das Tecnologias de Informação não é diferente.

A escolha não é fácil mas definitivamente importante. Neste artigo, partilharei particularmente a minha experiência, dificuldade e desejo na atribuição do nome do aplicativo “Kidila”. Kidila é um aplicativo que permite de forma simples, fazer pedidos de ajuda das mais diversas atividades diárias, sem precisares de te deslocar. Comecei a desenvolver o aplicativo no ano passado e neste momento está disponível na AppStore para iOS. Quando comecei a trabalhar neste projecto em 2016, tinha as ideias bem definidas, mas o que me faltava era mesmo um nome adequado e sugestivo.

O que decidi fazer primeiramente, foi definir as minhas condições. Estas condições criadas por mim foram as seguintes: ser curto, simples, africano e relacionar se com o aplicativo. Foi relativamente fácil escolher um nome que se relaciona com o aplicativo, mas para juntar isso á um termo africano, curto e simples foi um outro desafio. Foi desafiante, porque infelizmente não sou um grande conhecedor de termos africanos e isto dificultou e de que maneira na escolha do nome. Meus conhecimentos em línguas nacionais de angola já eram muito limitados, e ainda por cima tinha que escolher um, que se relaciona com o aplicativo. Fiz pesquisas pela internet e até tentei acompanhar o telejornal na sessão das línguas nacionais.

O resultado foi péssimo para não dizer decepcionante. Então só me restou uma opção, consultar pessoas com domínio de línguas nacionais. As pessoas mais próximas foram meus pais porque eles falam a lingua nacional angolana Kimbundo. Esclareci-lhes toda situação e eles começaram a citar inúmeros termos, ouvi dos termos mais complicados até aos mais engraçados (evidentemente sem más intenções).

Muitos nomes foram sugeridos, mesmo assim nenhum me convenceu de tal forma que ficasse satisfeito. Numa tentativa desesperada, perguntei aos meus pais, um termo de agradecimento em Kimbundo e eles responderam “Ngassakidila”. Ngassakidila traduzido significa, obrigado. Por algum motivo que desconheço gostei da palavra, apesar de não cumprir inteiramente com as minhas condições. O termo ainda era demasiado longo e não muito simples para a minha opinião.

Escrevi o nome numa folha e pensei em como tornar lo simples. No mesmo momento veio uma ideia inspirada no filme “A rede social ou The social Network” se preferirem. O filme retrata sobre o surgimento do Facebook, e neste mesmo filme tinha uma parte (seja verdade ou não), onde se fez a mudança do nome de “thefacebook” para o que hoje conhecemos por Facebook. Usei o mesmo principio e transformei “Ngassakidila” para simplesmente “Kidila”.

Portanto, criei um termo curto, simples, de origem africana e também tem a ver com o aplicativo.

Infelizmente ainda é incomum a utilização de termos africanos em IT ou pelo menos não são muito conhecidos. A primeira vez que eu ouvi um termo africano ligado á IT foi na minha formação universitária, quando trabalhamos com uma distribuição de Linux chamada por Ubunto. Gostei do nome, do Sistema Operativo e conclui meus estudos usando frequentemente Ubunto.

Foi a partir desta fase que identifiquei um grande fascínio e interesse em termos africanos ligados á IT. Por ser de certa forma incomum poderá na minha opinião despertar muito interesse na arena internacional e mudar algumas tendências em termos de nomenclatura no ramo das tecnologias.

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