Deixar de amar também é poesia

Ah, o deixar de amar. Este sentimento injustiçado e que dificilmente é levado em consideração. Poetas não escrevem com tanto entusiasmo sobre o deixar de amar. As pessoas não saem cantando que deixaram de amar com a mesma animação do aclamado amar. Tampouco fazem declarações: “Ah, fulano, com toda a minha alma e coração, preciso te dizer: deixei de te amar”.

Por outro lado, deveriam. O deixar de amar deveria ter tanta importância quanto o amor ainda em sua essência, porque este sentimento, ou o “não sentimento”, traz o que nem mesmo o amor consegue sempre: a felicidade. E esta é a maior descoberta da livre sensação de não amar.

Deixar de amar é como esquecer uma bagagem pesada no meio de uma longa caminhada. O sentimento de perda toma conta em forma de tristeza no momento em que é percebida a ausência daquela mala. Logo em seguida você passa a lembrar com um sentimento de saudosismo por cada item que depositou na bolsa, e que, contra a sua vontade, foi abandonado.

Até que, em um momento de percepção, a caminhada ficou bem mais agradável depois que aquela bagagem ficou para trás. Você descobre com alívio que aquela pequena dor na coluna causada pelo peso da mala, já não incomoda mais. Também é assim com o deixar de amar, ele começa a aparecer quando as lembranças já não machucam mais.

Deixar de amar é perceber que agora você caminha mais leve, agora é possível contemplar melhor a paisagem do trajeto. Talvez, no meio do caminho, a recordação do que você carregava volte em forma de saudade. Mas não há motivo para se preocupar, não tardará para as circunstâncias te lembrarem com palavras que entoarão na sua mente em cada passo dado: “você está mais feliz agora”.

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