Um grande amor a gente sabe

Eu tento voltar à realidade todos os dias. A cada segundo que penso em você passo dois me fazendo lembrar o quanto você me fez mal. Nem sempre eu consigo. Fico me perguntando se o que a gente teve ainda não acabou. São dúvidas remotas, mas que me fazem querer te questionar: “a gente viveu um grande amor ou eu fui apenas mais uma?”. Essa pergunta te dá poucas opções de resposta, talvez nem amor tenha sido, você já me deu certezas de ser o amor da minha vida na mesma medida em que me deixou claro que era a pior coisa que já aconteceu comigo.

Eu penso em voltar atrás tantas vezes. Em não ter tentado, em não ter cedido. Eu penso e mudo de ideia no mesmo instante. Não gosto de me arrepender das coisas, e os nossos bons momentos juntos impedem esse arrependimento. Quero lembrar de cada risada que você me fez dar, cada poesia que você me inspirou, cada música que você me mostrou e, por que não, de cada lágrima que você me fez derramar, se elas foram tantas foi por causa do tamanho do amor que eu tinha, e eu não quero me envergonhar por ter amado demais.

Talvez eu não devesse te questionar tanto, se fosse um grande amor eu não teria a mínima dúvida, eu simplesmente saberia e pronto, tudo seria mágico como nos livros de romance. Mas a realidade é que eu não desisto fácil. Isso é uma virtude para a minha carreira, para as minhas conquistas, mas não quando eu me apaixono. Eu vou até o fundo do poço com uma ideia de amor que talvez nem exista. Eu fui até o fundo do poço por você e (está tocando los hermanos aqui) eu ainda não consegui sair por inteiro. Porque eu acredito demais. Eu cresci sendo ensinada a acreditar nos contos de fadas dos livros que eu ganhava. Eu cresci acreditando e isso sempre foi tão bom, sempre me fez ver as coisas por um lado otimista e único, era o meu jeito de ver a vida, o jeito que eu tinha orgulho, e agora que está acabando comigo.

Talvez eu tenha visto em você um porto seguro, que eu me encostava quando precisava e você estava ali para ser o meu suporte. No momento em que eu precisei e você não estava, caí no chão. Ele era duro e frio assim como as minhas lágrima. Era saudade. Mas eu superei. Eu aprendi a conviver sem você. Eu aprendi a rever a independência que tinha antes de você. Mas ainda assim, algo continua me faltando. Eu não sinto sua falta tanto assim, eu não sinto que preciso de você com a urgência que eu tinha antes, mas eu ainda te amo.

É um amor diferente, um amor que insistiu em ficar mesmo depois de tudo. Um sentimento que faz parte da minha personalidade, como o meu gosto musical e o meu sabor de milk shake favorito do Bob’s, eu posso mudar se eu quiser, mas por que me arriscar se eu sei que é daquilo que eu gosto? Eu apenas não consigo me desprender, até posso provar outros sabores de milk shake, quem sabe ouvir um funk de vez em quando, mas dificilmente um vai substituir o outro, entende? Dificilmente outra coisa vai se tornar a minha favorita, ela pode ser boa, mas não é o que eu quero. E, no momento, eu quero o seu amor (escrevi você e troquei por amor porque achei mais verdadeiro). Eu quero você além do seu amor, mas o amor é algo eterno. Talvez eu te tenha hoje, como já tive outras vezes, mas quem me garante que você não vai decidir ir embora de novo?

Não me importo mais de você ir, pode voar, mas leve o amor que você sempre disse ter por mim, tenta não apagar o que a gente teve assim como eu não me deixo esquecer, para sermos eternos de novo. O tempo nem sempre é nosso amigo, as circunstâncias nos levam para estradas desconhecidas, quem sabe o dia de amanhã?, preciso saber se vamos ser eternos. Por isso eu continuo te perguntando, menino: “a gente viveu um grande amor ou eu fui apenas mais uma?”

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