A arte drag e seus admiradores

RuPaul’s Drag Race tem sido o reality show com a maior audiência de apaixonados pela arte drag. Além de o programa capturar a atenção do público, é também responsável por um grande corte de estereótipos no mundo LGBT a cada episódio. A drag queen RuPaul, que apresenta o reality, é famosa por seus discursos de quebra de moldes, o que colaborou para uma desconstrução de gênero na audiência. “Você pode me chamar de ele. Você pode me chamar de ela. Você pode me chamar de Regis e Kathie Lee. Eu não ligo! Desde que você me chame”, afirma RuPaul em sua autobiografia.

Gustavo Fernandes, 20 anos, estudante de Publicidade e Propaganda, considera RuPaul como uma de suas drag queens favoritas. “Atualmente eu adoro o RuPaul, não pelo show, mas sim pela sua imagem e por todo o significado que ele carrega. Construir um reality que tomou proporções globais mostrando o mundo e a cultura LGBT de uma maneira sem ser estigmada é um triunfo”, diz Gustavo.

O reality show incentivou pessoas como Laura Uliana a começarem a adentrar o meio artístico. Laura passou a se montar de drag king, outro lado das possiblidades dessa arte: a pessoa se fantasia exageradamente como homem com fins artísticos e performáticos. Ao participar, portanto, da cultura drag, a estudante de jornalismo considerou o RuPaul’s Drag Race como sendo o pontapé que a atraiu para esse mundo, no qual teve a oportunidade de fazer o que considera mais importante no papel de uma drag: juntar todas as artes performáticas e passar essa energia para a plateia como performer. Porém, além da interação emocionante com o público, Laura conseguiu perceber os desafios da arte drag, considerando a sexualidade como um grande problema nessa forma artística: “Sou privilegiada no aspecto orientação sexual, só posso imaginar os problemas que homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais sentem ao se montar ou performar. Sendo heterossexual, não tive problemas de sexualidade com a minha família, porém ela é extremamente conservadora e nunca aceitaria meu lado de drag”.

Os desafios são muitos. A maioria do público, por ser LGBT, enfrenta em parte a repressão que as drag queens sofrem, porém não consegue sentir na pele a dor delas ao tentarem alcançar um sonho. Mariana Rezk, 28 anos, é produtora de eventos e teve contato com a violência que é cometida contra as drags num ensaio para uma festa de Priscilla — drag queen consagrada nacionalmente. Uma das artistas chegou ao ensaio com o olho roxo por ter apanhado na noite anterior. Mesmo assim encontrou força para se maquiar, cobrir as cicatrizes e se apresentar lindamente, sem afetar sua interação com o público. A autenticidade, criatividade, simpatia e performance não foram abaladas. Haja força de vontade!

O vínculo do público com as drag queens é muito mais do que a energia e laços trocados durante as apresentações. É algo que transcende os palcos e as apresentações. A plateia se envolve nas histórias pessoais e impulsiona as drags a lutarem cada vez mais. A luta delas é tomada pelos apreciadores como se fosse deles mesmos. Não existe conexão e admiração mais bonita!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.