O pessimismo das estatísticas, e a integridade do trabalho

Acabo de ler as probabilidades de rebaixamento para o campeonato brasileiro de 2016 e mais uma vez me deparo com a brutalidade das estatísticas. Neste caso, prognósticos sombrios para os times que ocupam a parte inferior da tabela do campeonato.

São 9 rodadas, 27 pontos a disputar. A hora da ponta de baixo começar a reagir era a 10 rodadas atrás… O que não aconteceu.

A única maneira de inverter o pessimismo das estatísticas é sair ganhando jogo: dentro de casa, fora de casa; contra adversários diretos e indireto; contrapé, contra-baixo, contra-ataque, contra tudo e contra todos.

O problema do Z4 (os quatro últimos times da tabela que serão rebaixados ao término do campeonato) é fundamentalmente este: o time já tentou tudo o que foi superstição, e nada deu certo. “Vamos retrancar” — perderam. “Vamos com tudo” — perderam ainda pior. O time não tem a regularidade, a consistência, a tranquilidade e muito menos a confiança de construir resultados com naturalidade.

Sob o ponto de vista de inspiração e motivação, o barco já está virado e estão nadando sem bóia faz tempo.

Aos times candidatos ao rebaixamento, sugiro uma abordagem “de choque”:

  • retiro dos atletas nas últimas semanas;
  • formar grupos de atletas que discutem medos, ansiedades, dificuldades e criam uma estrutura de suporte uns aos outros;
  • trabalhar com inspiração, emocional, identificar os padrões de medo no grupo;
  • cortar acesso da imprensa. Mídia nunca ganhou campeonato.
  • trabalhar obsessivamente os pontos fracos do time
  • identificar as fortalezas e saber explora-las no momento certo em cada jogo
  • estabelecer metas individuais para cada atleta: físico, emocional, qualidade de passes, cartões recebidos, chutes a gol, assistências;
  • diretoria, técnico e jogadores entrarem em consenso de tomar decisões que privilegiem o coletivo;
  • identificar os comportamentos que constroem e os que destroem o grupo, e dar incentivos aos que modelam os comportamentos desejados.

Em parte, isso não acontece porque é trabalho duro, esforço emocional intenso, e despreendimento de vaidades.

Na prática, esse é o trabalho de calor humano que destrói o prospecto sombrio das estatísticas, que em geral, refletem em números os fatos duros e frios da vida.

Já pensou a sua equipe trabalhando com esse nível de integridade?

Compromissos:

  • Ser realista é o primeiro passo. Quais as chances reais de sucesso? Uma etapa de observação, de despreender-se de si mesmo e prestar atenção aos fatos e circunstâncias de maneira isenta.
  • Desafiar os prognósticos negativos com bom-senso. Como nós podemos reverter as tendências negativas? Como nós podemos aumentar a chance de sucesso? Esta é uma fase introspectiva, de meditação, de comparação com experiências anteriores.
  • Com clareza do que precisa ser feito, buscar a inspiração necessária para pôr a equipe em movimento. O que as pessoas precisam saber ou sentir para entrar em ação? Que estórias evocam esses sentimentos?
  • Envolver as pessoas. Escutar suas estórias e entender as emoções que lhes estão motivando. Contar as novas estórias que mobilizem as pessoas para uma nova realidade.
  • Otimista de verdade está imerso na ação, e toma decisões a partir da sequência dos fato. Verdadeiro otimismo está trabalhando duro para inverter uma trajetória de perdas.
  • Otimismo sem base na realidade dos fatos é tolice. Não adianta culpar os outros.
  • Otimismo sem o esforço emocional da iniciativa é ineficaz. É esperar o trem que não passa naquela estação.