Algumas considerações devem ser feitas:

1. As doenças sempre existiram e sabidamente as vacinas, juntamente com saneamento básico, foram dos grandes avanços do século XX, salvando milhares de pessoas e dando qualidade de vida à população.
2.Não é porque meus filhos são saudáveis e se alimentam bem que estão a salvo completamente de vírus e bactérias. Não podemos ignorar a existência desses microorganismos. Outros procedimentos também são importantes na prevenção de doenças, como lavagem de mãos, ambiente arejado, atividade física e sono adequado e vacinas. Mas ignorar novas vacinas é desconhecer o passado.
3. Sou da época em que não existiam vacinas contra meningite. Nem na rede pública nem na rede privada. Com frequência, nós pediatras suspeitavamos da doença. e colhiamos o liquor para exame e tratávamos desta doença tão grave. Algumas vezes com sucesso e, infelizmente, outras não.
4 .As principais bactérias responsáveis pela meningite eram Haemoplilus influenza (não confundir com o vírus Influenza da gripe), Neisseria meningitides (meningococo) e Streptococcus pneumoniae (pneumococo). A primeira vacina a aparecer foi contra o Hemofilus. Surgiu primeiramente em clínicas e somente muitos anos depois o estado a implantou na rede pública. Apesar de comprovadamente eficaz e segura. Foram necessários estudos de viabilidade financeira, projetos políticos, etc. Fez uma enorme diferença na saúde das crianças pequenas e hoje todas tomam a partir dos 2 meses.
Em seguida, o estado adotou a vacina contra o pneumococo (que também protege contra pneumonia e algumas otites). Quantas discussões deste tipo aconteciam antes dela estar na rede pública. "Será necessária? Tão cara! Se o posto não oferece é porque não precisamos ."
Uma década se passou entre o lançamento dessa vacina e sua disponibildade na saúde pública. E agora todos recohecem seu valor e não deixam de aplica-la nos bebês.
Mais recentemente foi adotada no calendário do governo a vacina contra o Meningococo C. Mas outro subtipos existem e circulam. No sul do país o mais incidente é o tipo B. E ainda vai levar um tempo para que o Ministério da Saúde possa oferecer as vacinas Meningo ACYW e Meningo B. Portanto, não é porque novas vacinas estão disponíveis apenas na rede privada que devem ser vistas com ressalvas. Ao contrário. Sempre foi assim. E todas acabaram sendo adotadas vários anos depois. Mas nossos filhos merecem a proteção agora.
5. Com relação ao sistema imunológico é isso mesmo que as vacinas fazem. Elas induzem anticorpos protetores a partir de particulas ou substâncias tornadas inócuas e aplicadas. Esse procedimento causa uma reação imunológica e consequente proteção contra os microorganismos. Todas as vacinas podem dar pequenos efeitos adversos como dor local, febre e indisposição. Mas, como sabido desde a época de Pasteur (criador da primeira vacina ) esses sintomas são muito menos graves do que a doença em si.
6. Os pediatras, infectologistas, imunologistas, médicos e clínicas de vacinas indicam novas vacinas a partir da orientação de calendários oficiais de suas socidades de especialidades. São consensos estudados largamente. Vide o calendário oficial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) nos seus respectivos sites. Aconselhe-se com especialistas. Leia sites científicos. Se informe antes de suas decisões.
7. O assunto é extenso e coloco me a disposição para responder outras dúvidas.
Dra. Iná M. Frias Cabral Arthur
CRM 8589 Pr
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Maringá