A arma apontada.
A ameaça explicita do ódio, da possessão, da obsessão.
Ela firme me segurava a mão
Ele apontando em minha direção
Eu querendo que aquilo tudo acabasse
A primeiro pensamento de morte ali acontecia
Eu grito “acaba com isso logo e deixa a gente morrer em paz!”
O chute no meu rosto, que deixa meu sorriso torto até hoje, pelo maxilar quebrado.
Eu desmaio e quando acordo ela chora como sangue por todos os lados
A gente se abraça e diz: “vai ficar tudo bem.” 
Até que ele volta e começa tudo outra vez
Começo e recomeço por anos.
Por culpa de ser um “pai” ruim ele não bate mais em mim.
Mas bate nela mesmo assim.
Hoje mais uma vitima do machismo morre assim tão perto de mim.
Um morre e outra tão pequena fica, que queria apenas que ela soubesse
Não é sua culpa pequena.
Não é.

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