A porta se fechou.

Há um ano atrás eu disse que precisava que você fosse embora. Você me perguntou se era definitivo e eu mentindo, disse que não. Menti, pois não conseguia ter coragem de admitir o quão mal você me fazia e consequentemente o quão presa nesse mal eu estava e não conseguia apenas desgrudar daquilo tudo. Pedi que você arrumasse suas coisas e apenas me desse espaço. Espaço pra eu poder respirar, me desprender e seguir em frente na busca da cura e da reconexão comigo e com quem eu acabei deixando de ser enquanto estive com você.
Você demorou mais do que o costume pra se arrumar, arrumar suas coisas e seguir viagem. Não sem antes borrifar seu perfume, cuidando pra que seu cheiro ficasse comigo, grudado feito tatuagem.
Eu abri a porta e “chamei” o elevador, enquanto você me questionava se eu tinha certeza e se a gente se veria logo pra resolver as merdas que você tinha feito e que tinham sido expostas na noite anterior, pra todo mundo ver e eu saber que tudo que passei até ali não era loucura da minha cabeça.
O elevador chega, eu dou dois passos pra dentro do apartamento, você me abraça uma ultima vez, diz que me ama. Eu sou consigo lembrar de respirar enquanto meu corpo começa a entrar em algum tipo de colapso. Você entra e a porta do elevador parece demorar uma eternidade pra fechar, mas fecha e você se vai.
Eu fecho a porta do 71 esperando que ali seja um recomeço pra mim, mal sabendo que a perseguição não teria fim e que outro alguém, ali naquele mesmo 71 começaria um novo ciclo de opressão e abusos.
A porta se fechou e só um ano depois eu consigo abri-la novamente pra sentir a brisa do bem querer.
Mas a porta que há entre eu e você, acredite, estará fechada, de janeiro à janeiro, até o mundo acabar.