A Culpa é do Ki-Suco
(Ou “Por que adaptações tem que ser alagadas até que reste um mar de clichés?”)
Primeiramente, eu gostaria de esclarecer que não. Está não é uma postagem antiga (a não ser que você esteja vendo isso em 2016. Então, neste caso, sim. Esta é uma postagem antiga. Caso contrário, não.), eu realmente estou escrevendo um texto sobre “A culpa é das Estrelas” em 2015. And i’m not ashamed of that — so far.
Vendo os outros cheirar o pó
Eu conheci A Culpa é das Estrelas (Livro) pelo facebook —quer dizer, acho que foi. — . Foi na época em que as pessoas começaram a falar muito sobre, e começou a surgir várias imagens com “Okay? Okay.”, além de cartoons com os personagens, etc. Pra ser sincero, eu achei bem desnecessário todo aquele alvoroço em torno de mais um livro de romance, especialmente um que aparentava ser bem cliché.
Comprando e cheirando o pó
O negócio começou a complicar quando pessoas que não se encaixavam no “grupo geral de fãs de romance” fizeram comentários positivos sobre o livro. Toda a visão que eu tinha sobre o livro — que pra ser sincero, não era muita (tava era 100% nem aí) — começou a ser desconstruída. Foi aí que eu decidi ter minha própria opinião sobre o livro (muito bom ser sua própria opinião sobre as coisas, recomendo 1000). Foi então que poucos meses antes de o filme lançar, eu comprei “A Culpa é das Estrelas”. E li.
E num é que o negócio era bom? Um livro de romance cliché que eu ja tinha deduzido — e acertei — o final(claro que uns spoilers marotos no facebook deram dicas) estava sendo bom. Mas, olha que interessante esse mundo, não é mesmo?
Sobre o pó
A história não é nada revolucionária. A “maior surpresa” do livro, eu já sabia. E não é lá essas coisas. Principalmente para eu que sou viciado em filmes com plot-twists de queimar o cérebro e você se perguntar “Onde estou? Será que estou na lagoinha?”. Mas, os diálogos legais, alguns personagens bem trabalhados — Não chorei em nenhum momento, mas ri várias vezes. — , e o final não surpreendente — porém com trechos bem vivos, que eu não esperava ler — , me fizeram gostar de A Culpa é das Estrelas.
Powder meets water
Se você ainda não entendeu porquê estou falando de pó e ki-suco nesse texto, está na hora de compreender.
Vamos supor que a história do livro seja o pó do suco. É legal, cheirosa, e parece ser bem gostosa. Você coloca o pó em uma certa quantidade de água e — uhu — está pronto o suco. Neste caso, o livro. Mas, ai outra pessoa vem e diz “Dá pra colocar mais água ai menino. Fica quase a mesma coisa e dá pra mais gente beber do suco.” e você escuta!!! Pior morte!!!
E ao colocar três litros d’água com um pacote de Ki-Suco que faz dois litros (que na verdade nós sabemos que nem dois livros faz), você tem o filme. TODO AGUADO. SEM GOSTO.
Claro, as vezes dá pra sentir um pouco do pó, ai você lembra porque você tá tomando o suco. Mas na maior parte, você só sente a intenção do pó. O gosto dele tá bem longe, quase que em outro plano espiritual.
Muita água, inshalá
Sabe aqueles diálogos engraçados do livro? Sabe aquelas cenas legais? Não tem no livro! A água levou todo o pó!
O trecho do shopping? a viagem à Holanda? a visita ao escritor? a relação dela com a mãe? TUDO FOI EMBORA NA HORA QUE VOCÊ COLOCOU A ÁGUA. Ficou só uns pedaços do pó boiando naquela água rosa clara(o suco é de morango, porque sim). E você torcendo pra sentir o gosto… mas nada ocorre em nova york.
Toda a história do livro foi copilada(ou alagada, como preferir) para o simples fato de Hazel ser uma garota doente que se apaixona por um garoto que também é doente. Pronto. Toda a personalidade de Hazel se esvaiu no filme, os personagens secundários ficaram ainda mais secundários. Foi bem triste. Na verdade, mais triste que o livro (Risos).
Vou me privar de comentar sobre a escolha dos atores, porque… sei nem o que dizer, só sentir.
Meu suco, ninguém sai
O ponto é: A culpa é das estrelas é um livro bom, e um filme “assistível” (só uma vez). E eu gostaria de pedir encarecidamente para você que cursa qualquer coisa ligada a cinema: NÃO ALAGUE O SUCO.
Claro que há várias exceções maravilhosas de filmes adaptados que são 1 pitel. Porém a indignação existe e ela deve ser exposta.
Ah, o título se refere a o fato de que “Extraordinário” (um dos meus livros favoritos) possivelmente teria um filme. O bom/ruim é que a notícia já circula desde o final de 2013. E até agora nada. Então, como diria Roberta Miranda: “Não sei o que dizer, só sentir.”
Não fique estressadinha, calma amor não se exponha
Caso você não tenha compreendido alguma expressão utilizada no texto, aqui vai um glossário:
“Seje Menas” — Um pedido educado para que uma pessoa modere. Creio que o menas seja em referência essa notícia aqui.
“Onde estou? Será que estou na lagoinha?” — Expressão utilizada quando você se encontra em confusão mental ou até mesmo quando se está perdido, de fato. Referência a esse vídeo aqui.
“Nada acontece em Nova York” — Apenas significa que nada acontece, quando você esperava que acontecesse algo.