Infortúnio Romance.

Contar o caso de um infeliz amor é de certa forma desgastante. Mas afirmo que é algo necessário a se fazer, para se externar o desencanto. Algumas vezes pode ser útil e talvez até traga uma certa leveza ao coração.

Tive a infelicidade cruel de me apaixonar por alguém.

Por favor, peço de antemão, não condene minhas palavras obscuras. Você deve achar que o conceito romântico do fascínio não deva de forma alguma estar junto com as palavras “infelicidade” e “cruel”. Mas nesse caso, estão. Você já vai entender.

Fiz infinitas conjecturas considerando que tal pessoa tivesse interesse tão profundo quanto o meu. Todos os sinais eram afirmativos para que eu pudesse acreditar que a minha imaginação não era vazia. Ao contrário, era linda e poética. Porém o meu erro se revelou logo mais.

Depois de certo tempo e de muito brigar com a teimosia da razão dissidente, conformei-me com o óbvio, ao analisar toda a situação do caso.

O que essa pessoa queria de fato, era estar com outra.

Entende aí, meu caro amigo, o meu termo colocado

sobre a infelicidade cruel?

Os primeiros dias que passei revendo o meu caso em específico ultrapassaram o limite da regra. Por fim reconheci a fraqueza e constatei a falta.

Nós tivemos um breve romance. Muito bonito até de se ver. De idas e vindas. Uma viagem longa, algumas conversas engraçadas. Doces olhares, e uma separação. As vezes quando fecho os meus olhos, vejo sua face em relance. Momentos pausados no qual quando deito na cama e viro para o lado, me recordo de nossas ocasiões a dois. Porém tudo acabou tão rápido como começou.

Um breve lapso de um tempo bom. Sendo tal tempo quebrado, por escolhas individuais e é claro, alguns princípios divergentes. E o que fica de lição é que as vezes a separação é a melhor coisa a fazer para se evitar maiores mágoas.

Tive então que lidar com o real. Ao final, fui por parte da pessoa, considerada a dúvida. E não culparia de forma alguma tal pessoa, por não ter sido eu “escolhida” para o romance existente. É doentio transferir a culpa. E não é certo.

No jogo do amor de três, um, sempre vai sair perdendo. A regra é clara.

Por minha parte, continuaria a querer mais e mais afeto. Mas impelir não é a melhor das alternativas. Fui o infortúnio romance.

Se vejo que de lá, vem dúvida, de cá tenho já uma certeza. É tentar esquecer. A gente sempre tem que dar grande ênfase a palavra tentar. Porque em minha compreensão sobre persistência, são nessas tentativas e erros que vamos acertando. E muitas vezes temos que tomar certas decisões, quando se tenta. Remover as faltas, suprimir a confusão da mente, apagar um número.

Não é de um dia pro outro que se esquecem situações infelizes. Ou a saudade espontaneamente se esvai. Ela fica por um tempo, mas logo desaparece.

Senão, qual sentido teria o conceito de tempo?

Está na paciência, na espera.

Está em tentar recomeçar.