Se você quer ser artista, leia Patti Smith

Patti Smith em 2014. Crédito da imagem: Smial — Wikimedia Commons

Patti e seu livro são cult. E se você for como eu, vai torcer o nariz para isso. Filmes do Wooddy Allen, música alternativa desconhecida e visitas periódicas em galerias de arte marginais não são o meu forte.

Mas "Só Garotos" não é esse tipo de livro, porque a Patti Smith, na verdade, não é assim. Ela é uma dessas pessoas cultas que não estudaram em uma faculdade famosa, mas que se formou sozinha, com os pais, com os amigos e com si própria. Além disso, Patti é cheia de referências. Ela vai te falar de arte contemporânea, poesia simbolista, literatura de prisão, música clássica, fotografia e rock’n’roll dos anos 60.

Acima de tudo, ela vai falar do seu relacionamento inclassificável com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, um pioneiro a tratar temáticas da homossexualidade. Eles foram namorados, moraram juntos, foram amigos, meio que irmãos e Patti ficou do lado dele até a morte, em 1989, por complicações da AIDS. Ela ainda seguiu a vida — e conta isso em outro livro maravilhoso, Linha M, lançado recentemente pela Cia. das Letras.

Mas o que mais me marcou em "Só Garotos" é que todo mundo que cria vai se sentir mais inspirado com essa musa. Se ela podia fazer seus poemas em uma máquina de escrever de segunda mão, apoiada em uma caixa de laranjas, você pode escrever no seu computador (por mais velho que ele seja) ou no seu smartphone. Se você não for escritor, deixe que ela te guie também pela música, com seu violão rachado, ou pelo desenho, feito em papéis que, durante uma parte da vida, ela guardava moedinhas para comprar.

Só Garotos nos faz ver que para pensar em arte não é preciso ter estudado em escolas caras ou ter todo o equipamento possível. Mais do que lições sobre amor, vida e perda, talvez essa seja a principal mensagem que Patti pode deixar para nossa vida.