Inês Borges
Nov 7 · 1 min read

Havia poucos centímetros separando nossos corpos,
ainda assim, distancias imensuráveis na nossa perspectiva.
gostávamos disso, acredito
da diferença que nos unia
concordávamos com aquela frase de Platão onde ele ousa dizer que não precisávamos daquilo que já possuímos, daquilo que já somos
talvez fosse por isso.
entretanto,
tomávamos o mesmo café,
nas mesmas canecas,
no mesmo estabelecimento
todos os dias.
Minto.
Não tomávamos os mesmos cafés porque você gostava de café com leite e eu preferia um passado
As canecas eram diferentes também,
a dona gostava das particularidades que possuía uma caneca de cada tipo,
ou talvez só houvesse quebrado uma de cada par e só restavam aquelas.
nunca descobrimos de fato.
Mas escolhíamos sempre a mesma mesa
perto da janela que tinha como vista um jardim de inverno.
Bem clichê, bregas.
Você citava referências históricas enquanto eu dizia não saber o que fazer da vida

[Será que vou pra São Paulo?]

[ Invisto meu dinheiro em uma bike?]

você me encorajava a seguir a primeira opção enquanto falava sobre mais referências históricas da semana de arte moderna de 1922
algo sobre mario de andrade
que sp era minha cara,
lugar de artista,
Não sei se concordava
Naquela época eu só tinha certeza que 17:40 era a hora do meu abrigo diário. De me sentir em casa mesmo distante do endereço onde voltava pra dormir todos as noites.
Acho que era aquele café,
ou talvez fosse você
nunca descobri

Inês

    Inês Borges

    Written by

    uma mulher no começo da metade do início da vida

    Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
    Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
    Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade