#Quase: não fosse medo

Escreverei sobre seus olhos, são as únicas coisas de que me lembro. Só que não poderei dizer palavras piegas demais, tendenciosas demais. Deixarei tudo no quase então.

Fiquei na eminencia da morte por hipnose, desviei o olhar. Sobrevivência.

Tagarelava alguma coisa no momento, mas é como disse, não lembro.

Concentro-me nos teus olhos dissimulados então.

Castalhos claros como terra molhada. Cheiro de campo.

Servia de espelho para vislumbrar meu olhar bobo para ti. Rendição.

Pecado de me jogar do abismo, encontrei teu solo. Dissipei minhas mágoas.

Fraquejei ao sentir gotas brotarem em minha testa, mas não podia parar.

Orquestrei sonhos de morar em tua profundidade perdida encontrada no olhar. Perfeito teletransporte para sabe-se lá onde. Sabe-se lá melhor.

Quase lhe beijava a boca, perfeito enrolar de línguas. Sobretudo por curiosidade ao desconhecido. Ao que me saltava os olhos.

Quase lhe abraço, minhas garras a te prender com a promessa quase louca e doente de nunca soltar.

Cheguei à beira do abismo, mas não me atirei. Não concretizei o que ficou no quase. Quase lá.

E se me perguntares porque não o fiz, responderei sem critério que tive medo.