Sem Estética — Ela odiava ele

Ela não sabia explicar, mas simplesmente o odiava.

Na verdade, acreditava que o odiava pela simples razão de querer sentir algo, não o amava e por isso o odiava. Encontrou em sua lista de talvezes, uma série de possíveis explicações, e se sentia bem cruel por isso.

Odiava que ele lhe abrisse a porta do carro, e a forma como ele falava apaixonadamente do mundo. O gosto musical dele, a despeito dela amar os cantores, considerava um lixo e sempre odiava os lugares que ele sempre amou ir.

Ela odiava que ele se sacrificasse por ela, que quase perdesse o emprego por ela e almejava que ele lhe ligasse durante a madrugada só para gritar e dizer o quanto ela era horrível. Ela odiava amar o sorriso dele, com as ruguinhas em volta dos olhos e por ele está sempre ali para salva-lá das bads diárias. Sempre com disposição para ser tudo o que ela precisava para se salvar de si mesma.

Palavras gentis? Ela revirava os olhos e se dignava a praguejar o resto do dia se recebesse.

Ela se atrasava de proposito para vê-lo brigar com ela, mas ele sempre a entendia sem pestanejar. Ele sempre procurava ser tudo o que ela quisesse, e ela só queria gritar com ele para que ele parasse de ser tão gigante.

Ela sabia que ele era demais para ela, e queria acabar com ele. Porém, onde ela jogava ódio, ele devolvia amor. Ela queria que ele chegasse, gritasse e xingasse ela e ele só lhe era elogios, entregando sorrisos a despeito da dor que lhe era causado.

Ela sabia que no fundo só tinha inveja dele, ou pena de si mesma. Queria acabar com ele, queria fazê-lo descer ao seu nível ou desistir dela, mas ele não fez. Entregava ‘’não’’ aos desencontros que ela queria alcançar.

Ela chamou isso de amor verdadeiro, mas odiava ele.

Ela sabia que ele era amor, que era poesia. Mas nunca iria conseguir lê-lo