O tempo passa.

Ele faz isso descaradamente, rindo da minha cara, e o mundo inteiro o acompanha, menos eu.

Eu assisto.

Presa no meu próprio corpo.

Hoje comi minha primeira refeição depois de três dias sem fazê-lo.

Nem sempre durmo mas sempre tenho que acordar.

Paro de madrugada e o vejo, quase tangível, inalcançável.

A luz chegando devagar, entrando por entre os buracos no telhado e por entre as folhas longas do coqueiro.

Eu durmo,

não durmo,

como,

não como.

Quase morro e as vezes quase vivo.

Todo momento bom que já vivi hoje me serve de combustível pra continuar sobrevivendo.

Eu vivo de passado.

Memória.

O tempo deixa o mundo usá-lo como e quando quer, mas a mim ele ignora.

O tempo passa na minha frente e nunca me leva.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.