Patronum

dona Nana
dona Nana
Jul 20, 2017 · 2 min read

As coisas mudam de uma maneira muito rápida. Há dois anos ela nasceu e hoje fala tudo com uma clareza assustadora. Ela cresceu.

E cresceu junto o meu medo antigo da morte. Sinto que não posso simplesmente desaparecer da vida dela. Não posso!

Mas, se pararmos e analisarmos, nós morremos um pouco a cada dia. Deixamos de ser as pessoas que já fomos. Amadurecemos ou deixamos de amadurecer. Entendemos algumas coisas e outras permanecem um total mistério.

Talvez eu não tenha medo da morte e sim, de perder. Perder momentos, conhecimento, pessoas, sentimentos. É isso, eu tenho medo de perdas. E quem não tem?

Presto atenção quando ela conta suas historinhas e viro cobaia quando brinca com o kit de médica que ganhou. Ouço ela explicar ao motorista do Uber que ela “cuida da pessoas doenti” e que é uma “dôtoia”. Ela me desperta um turbilhão de sensações e me faz atazanar meus melhores amigos com fotos e áudios no WhatsApp. Ela me faz falta diariamente e eu não quero deixar de participar ainda mais das suas descobertas.

Quase sempre acreditei que teria uma vida curta e ainda acredito, às vezes. E isso me apavora. Não quero que ela me tenha só como uma lembrança ou me conheça pela boca de outras pessoas. Desejo que ela tire suas próprias conclusões sobre mim. Não é querer muito, né?!

No fundo, eu sou um poço extremamente fundo de medos e decepções; e ela, minha chama eterna de felicidade e inspiração para ser melhor.

Ingrid Borges

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