Afinal, o que é ser bem sucedido?

Eu trabalho em uma livraria que tem parceria com o Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC). Enquanto almoçava no restaurante ouvia a conversa de alguns jovens praticantes da inversão existencial, é uma técnica de planejamento máximo da vida humana aplicada desde a juventude com o objetivo de cumprir uma programação existencial feita antes de reencarnar. A ansiedade pelo futuro nesses jovens se notou, pois não só precisam ser bem sucedidos, mas precisam cumprir um papel já predeterminado por eles antes da reencarnação, tendo portanto de agir com cuidado para não pisar em falso.

Isso me fez lembrar de quando eu era criança, na minha certeza de que aos 25 teria viajado a várias partes do mundo e ganharia a vida como uma pintora, após isso como atriz e um pouco depois como astronauta. Mas por surpresa aos meus 20 anos consegui um emprego temporário em uma livraria para poder me formar no curso de psicologia, o qual consome todo meu tempo e me afastou muito da minha família e amigos.

O que falar da escolha da faculdade aos 16 anos em época em que eu nem sabia o que exatamente desejava almoçar ao meio dia. A minha escolha foi bem sucedida, porém a ansiedade de escolher um curso a essa idade para me formar logo e encontrar um bom emprego foi por pressão.

Isso não tem mudado muito, estou na metade da faculdade de psicologia e ainda me sinto insegura sobre o papel que vou desempenhar ou quantos artigos científicos serei capaz de publicar, se consigo realizar uma palestra para um grupo grande de pessoas, se consigo ser perfeita para não ferrar com meu futuro acadêmico tão sonhado. Penso nos mínimos detalhes para não cair por uma pedra no meio da grama, mas venho me perguntado o que de tão ruim aconteceria se eu acabasse vivendo debaixo da ponte?

O que eu quero dizer é que o tempo todo estamos viajando nos pensamentos e estamos idealizando nossa vida— eu vou passar em um concurso; irei comprar o carro dos meus sonhos daqui a cinco anos; terei exatamente dois filhos; vou viajar pro mundo todo após me aposentar; quero me tornar médica; — as palavras vou, quero e desejo se tornaram tão próximos de nós que acabamos sofrendo pelas desilusões ou o futuro que não chega.

As emoções medo e ansiedade fazem parte do nosso sistema de sobrevivência e isso é saudável, o problema é que essa vida se tornou uma competição imaginária. Já pensou que não existe um fim? mas insistimos em correr para uma chegada que não existe. Não queremos ser o último a chegar, não queremos ser o único a não chegar a ter uma casa com 40 anos e ser bem sucedido aos 25 anos.

O pior é quando o futuro não se realiza, você não se torna escritora bem sucedida ou a palestrante de pesquisas renomada. Mas será que você deve se punir ao fracasso por não atingir padrões idealizados?

Com 20 anos continuo moldando o meu ser e percebi que não existe um pote de felicidade no fim da vida e sim os pequenos momentos de prazer do nosso dia a dia. Não existe o melhor dos melhores e sim o menos pior.

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