Relacionamento Instável

Já vi e ouvi falar de muitos relacionamentos complicados, mas poucos são tão intensamente difíceis quanto o nosso. É um vai-e-vem infindável porque você insiste em voltar. Não adianta eu querer fugir, pois até mesmo atravessando continentes, mais cedo ou mais tarde o dito-cujo me encontra e dá continuidade a esse gostar contraditório.

Quando você chega, tudo fica diferente. Por sua causa, sou obrigada a mudar minhas roupas — você não deixa que eu saia mostrando pele por aí. Fico menos tempo vagando na rua, prefiro ficar no aconchego encontrado entre quatro paredes. Minhas noites são incrivelmente mais agradáveis, mas me atraso todas as manhãs porque por sua culpa não consigo sair da cama. Quando finalmente saio, pronuncio todos os xingamentos possíveis, te amaldiçoo e desejo que vá embora e nunca mais volte. Isso tudo tremendo e batendo o queixo, é claro.

Você me engorda. É inevitável, a sua presença resulta na ampliação do meu apetite — ou na dilatação do meu estômago. Tudo bem, as refeições tornam-se melhores na sua companhia, ou eu que passo a dar maior importância a elas, mas, poxa-vida, quando estamos separados fico mais magra. E menos preguiçosa.

Preciso admitir que acho tudo lindo quando você está por perto. A cidade, as outras pessoas, os filmes. Até pegar um ônibus parece digno de ser fotografado. Mas também acho tudo mais fácil quando você se vai. Cada detalhe do meu cotidiano torna-se mais prático e absolutamente mais leve. Inclusive minhas roupas.

Sou muito boa em te odiar, mas progressivamente aprimoro minha habilidade de te adorar. Desgraçado: some, porém não tarda mais do que seis meses para voltar. E é indiscreto, gosta de fazer todos notarem a sua presença, além de não ligar se não estiver agradando.

Não importa quantos casamentos a Jennifer Lopez já terminou, quantos desencontros Forrest e Jenny tiveram, nem quantas vezes Jude Law e Sienna Miller terminaram e reataram. Nada me convence de que algum deles tem um relacionamento mais instável do que o meu com o inverno. Mas eu e o frio estamos trabalhando nos nossos problemas de comunicação, talvez busquemos um terapeuta. Ou uma estufa. Brrr.

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