A sensibilidade de cada dia

Um vento nos abraçando, uma flor desabrochando, despertando cheiros maravilhosos pelo ar, um sorriso sincero, um olhar que disse tudo, ou aquele olhar profundo, que desperta um oceano de mistérios.

No carinho silencioso dos animais, na beleza de cozinhar, no prazer que vive dentro de um banho demorado, na paciência para aceitar o tempo, no degustar de um legume ou fruta, na empatia, compreensão, livre expressão, na companhia de alguém ou na solidão, em aproveitar um beijo lento como uma música romântica ou curtir uma música cheia de energia, que explode dentro de nós como um furação de alegria.

Nas lágrimas que caem dos olhos que foram inundados de sentimentos sinceros, no sentir um perfume que nos trás lembranças, de pessoas, de infância… Na oração, gratidão, no perdão que vem do coração, no ajudar, cuidar, observar, numa dança que segue o ritmo e fluxo da música, dentro de um abraço caloroso, na saudade que tem nome.

No raio de luz que te ajuda a levantar pela a manhã, no horizonte, na beleza do pôr do sol, lentidão das nuvens, folhas e flores que caem dos galhos, no ato de olhar para o céu antes de dormir, no conselho que vem quando a gente mais precisa.

Nas pessoas que sonham grande e crianças que não pedem permissão para agir através da intuição, no prazer que se diferencia do lazer, no reconhecer, interpretar, apreciar as palavras de um livro que nos faz imaginar de dentro para fora, ou de fora para dentro, no elogiar, na honestidade, espontaneidade, criatividade.

Nas sincronicidades e coincidências que podem surgir a qualquer momento, na paixão, que nos acorda voando dentro de nós como borboletas, no amor que não precisa de palavras para ser verdadeiro, percebido e reconhecido. Na plenitude, nas ondas do mar, no voar dos pássaros, leveza, bom humor, som de uma cachoeira, na melodia do piano, do violão, no jeito como os flocos de neve dançam no ar, na simetria e perfeição da natureza, no fluxo natural de uma cachoeira, ao ouvir músicas que nos fazem voar, para bem longe…

É dentro de tudo o que eu falei e de outras coisas, que mora nossa sensibilidade, em observar a grandeza de algo pequeno, um universo dentro de cada sutileza, por menor que seja, em dar lugar ao sentir ao invés de racionalizar sempre tudo.

A sensibilidade de cada dia deve ser lembrada, como nos lembramos de trabalhar, dar comida para o cachorro e tomar banho, ela abraça a beleza do sutil, nos faz apagar as luz e deixar a lua e as estrelas, com seu brilho leve e delicado, iluminar a noite (quando e onde se é possível), desperta nossos sentidos, para olhar, pegar, saborear, cheirar e escutar com atenção o que pode passar despercebido pela rapidez dos nossos movimentos e rotinas enraizadas.

A conquista da sensibilidade nos mostra o valor e a importância que residem na simplicidade e beleza do mundo, que devemos parar durante o dia, nem que só por um momento, para observar a enorme quantidade de graças que ele tem a nos oferecer, e que nos fazem reconhecer a pequeneza e grandeza que somos diante do universo.

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