Tudo tem sua primeira vez

Era um domingo, me senti vegetando em casa, não aguentava mais o tédio. Falei com uns amigos e decidimos andar de skate, longboard e patins no aterro da praia, eu estava mega empolgada, fomos caminhando. Meu amigo me deu aulas básicas no seu longboard, a verdade é que eu nunca havia andado na vida, mas como tudo tem uma primeira vez, quis aprender.
No começo tive um pouco de dificuldade em me equilibrar, mas com um pouco de prática, vendo o long deslizar no aterro, eu fui pegando o jeito, no entanto nessa experiência aconteceram algumas cosas que me chamaram atenção.
Enquanto andava com meus amigos, teve um momento em que me empolguei muito e não tinha ligado tanto para as dicas de como desacelerar e descer, sou um pouco teimosa, ao meu ver eu estava indo bem. Acelerei com vontade, no entanto aumentou demais para mim e acabei com uma queda feia no chão, ralei minhas pernas, braços e mãos, além de ter rasgado minha roupa, fora que eu estava sem nenhuma proteção.
Sorte a minha que meus amigos estavam ali para ajudar, eu não estava sozinha, e tiveram que ouvir meus gritos de dor enquanto lavavam minhas feridas e ainda riram da minha cara junto comigo. É aquela coisa, amigo de verdade te zoa quando vê oportunidade, mas a pergunta que não queria calar na minha cabeça era o porquê daquilo tinha acontecido, afinal de contas não parecia ter nada de demais no caminho.
Percebi que o que me fez cair quando a velocidade do long começou a aumentar, não foram as lombadas, ou obstáculos, que afinal não existiam, foi simplesmente o meu medo de cair, se eu tivesse tido um pouco mais de confiança eu teria conseguido e não teria caído, mas levei um baita tombo, me ralei, sangrei e cai forte no chão.
O interessante foi que quando me ralei tive a sensação de que eu estava utilizando meu corpo, que estava realmente andando de long. Uma coisa é fazer um bolo com todos os ingredientes e melar suas mãos, outra coisa é comprar uma mistura e colocar no micro-ondas, a sensação é totalmente diferente, quando você se mela ou a queima no fogo você sai da zona de conforto, se desafia e sente o seu corpo sendo desafiado.
Lembrei de quando aprendi a andar de bicicleta, meu pai me ensinou no quintal da minha casa quando eu era criança, tinha acabado de ganhar minha primeira bicicleta sem rodinhas, não preciso nem dizer que também levei uma queda bonitinha.
Mas é aquela coisa, é a sua primeira vez, e tudo bem cair. Eu caí porque estava fazendo algo diferente e que nunca tinha feito, muito melhor cair fazendo algo novo do que ter sua pele intacta mas dentro da sua zona de conforto.
Quanto mais você se joga e experimenta, mas percebe que as quedas fazem parte, com a prática acaba melhorando, isso é divertido, mesmo que doa, temos que entender o que a dor significa, ainda estou com as feridas, não me arrependo, sei por que elas estão na minha pele, no final a gente pode até acabar rindo de tudo isso com os amigos.
Aprender algo novo é uma jornada, é embarcar numa aventura onde você não sabe ao certo como as coisas vão se desenrolar, mas tem fé enquanto segue pelo o caminho desconhecido.
Tenho que ter fé e me divertir enquanto sigo a estrada, sem medo de cair, e quando cair, me levantar e voltar a andar, só que com os pés mais firmes dessa vez. Sentir a adrenalina e ir.