Você não sabe o que é a morte.

Você acha que conhece a morte até dar de cara com ela e perceber que não a conhecia.

Você pensa que sabe o que é até presenciar a morte. Daí, então, ela passa a viver embaixo da sua pele. Ela passa a viver todos os dias nos seus medos, nos pesadelos, nos pensamentos. Ela passa a fazer parte de quem você é. Você passa a respeitar a morte.

Eu ouvia que a morte fazia parte da vida. Entendia que, ao viver, inevitavelmente você morre. Era parte do ciclo. Mas quando eu conheci a morte compreendi de verdade o que isso significa. Quando você finalmente conhece, você não consegue esquecer a morte. Você não consegue enxergar mais as coisas como enxergava antes….

Você enxerga morte em tudo. Ou melhor, você enxerga a brevidade da vida em tudo.

A morte te transforma, pra sempre. É como se abrissem uma parte do seu ser que não existia antes. E não tem como voltar atrás. Eu arrisco até em dizer que não é possível saber o que é vida antes de saber o que é a morte. Quando você conhece a morte, você passa a respeitar a vida.

Parte da experiência linda de se conhecer a morte é entender que com ela anda o amor. E parte da experiência dolorosa de se conhecer a morte é entender que o amor não morre. Amor não morre nunca. E se tem uma coisa que dói é quando alguém morre e o amor continua vivendo dentro de você. Se você conhece o amor e conhece a morte, você também conhece a dor.

E essa dor não vive só em você. Quando você conhece a dor que só a morte consegue deixar parece que você também sente a dor de cada outra morte. É como se essa dor fosse o convite de uma festa em que você não queria estar e suas únicas companhias são as outras pessoas que também receberam esse convite.

Essa dor vira empatia. Você não precisa nunca mais se colocar no lugar de ninguém que enfrenta a morte, porque você já está nesse lugar e você nunca vai sair de lá. Esse lugar faz parte de você. E aí você aprende a respeitar a dor.

Se você não consegue respeitar a dor que a morte traz, você não conhece verdadeiramente a morte. Você acha que conhece a morte, mas não criou laços com as outras pessoas que te acompanham na solidão de carregar o amor que não morre.

Não. Se você consegue encontrar o mínimo de prazer na morte de quem for, então você não conhece a morte, você não foi massacrado quando ela te pegou de surpresa e você não deixou ela te ensinar o que é a vida.

Você pode até rir da morte, você pode até rir da dor que os outros carregam com a morte, mas quem nunca viveu foi você.

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