31 dias de (filmes de) terror

Minha experiência participando do MEDO — Movie Everyday in October #medo31

Enquanto muitos fizeram Inktober, eu, como amante de cinema (e particularmente de filmes de terror, mesmo sendo uma medrosa assumida hehe), decidi participar do MEDO — Movie Everyday in October. O desafio era assistir 1 filme de terror por dia durante outubro, o mês do Halloween.

Eu assisti 22 filmes de terror, e assim eu passei o mês: tomando vários sustos, dando vários gritos, perturbando todos ao meu redor, zoando meu algoritmo do Netflix (agora ele SÓ me recomenda filme de terror) e me divertindo horrores (yes, pun intended).

Movie Everyday in October 2017. Arte retirada do grupo do Facebook.

Desses 22 filmes, apenas 13 vieram da lista proposta pelo desafio e o resto foram filmes que escolhi — destacados aqui nesse post com asteriscos ao lado dos títulos.

Mas, sem mais delongas… minha experiência (spoiler free) de 31 dias de (filmes de) terror!

Semana 1 — Maiores Medos

Como sou uma pessoa relativamente bem medrosa, a primeira semana do desafio foi fácil para achar filmes que me arrepiassem. Além dos que eu assisti, eu já tinha assistido (mas gostaria de ter revisto para o desafio) Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958, do mestre Hitchcock) e Enterrado Vivo (Buried, 2010). Dois filmes muito bons que recomendo, mas que não me recordo o suficiente para escrever sobre de forma sólida. Eu também fiquei bem interessada em Eden Lake e Candyman, mas infelizmente não deu tempo™.

Morgan (2016)

Quem é muito próximo de mim com certeza já me ouviu falar (mais de uma vez, inclusive) que “as máquinas vão se rebelar e vão escravizar e matar a gente qualquer dia desses”. Mesmo atualmente estudando e lendo sobre inteligência artificial e Machine Learning (e vendo que as coisas não são bem assim), eu ainda mantenho — com parcimônia — meu medo de anos, e a isso devo meu interesse a qualquer ficção científica que envolva qualquer tipo de andróide, robô ou inteligência artificial (olá, HAL, protagonista dos meus maiores pesadelos) que um dia "acorda" e decide buscar vingança contra a humanidade. Assim, Morgan foi minha escolha para iniciar a semana dos maiores medos. E eu não me arrependo de maneira alguma.

Um filme muito bem feito e com uma trama centrada em personagens femininas, Morgan me lembrou um Ex Machina (2014) com bastante ação — e também com um pouco mais de representatividade e um pouco menos de machismo (bonus points!!!). Me digam quantas vezes temos a oportunidade de presenciar uma cena foda de luta entre duas mulheres, sem nenhuma delas sendo objetificada e/ou sexualizada? Inclusive, eu, que tenho 0 paciência e interesse para cenas de ação, fiquei hipnotizada com a maior parte dessas cenas no filme.

Anya Taylor-Joy como a andróide Morgan: por favor, olhem essa carinha linda de psicopata ❤.

Destaque à Anya Taylor-Joy, que atua incrivelmente e tem sido uma revelação. Anya não só protagonizou Morgan como também Fragmentado (Split, 2016) e A Bruxa (The Witch, 2016) e fez um ótimo trabalho nos três filmes (que são excelentes).

Nota: um 8/10 merecido.

Lights Out (2016)

Medo do escuro é um outro medo antigo meu e eu sou aquele clichê humano de ser a última pessoa da casa a dormir e consequentemente ter que apagar as luzes e sair correndo para a cama (e o que eu imagino que tem no escuro pode ir desde um espírito maligno, tipo o do filme, até um assaltante que milagrosamente teria conseguido escalar até o quinto andar onde eu moro).

Em resumo, vamos apenas dizer que eu já tremi nas bases no trailer e quando eu vi o filme (de dia, com todas as janelas abertas e muita luz na sala) muitos gritos foram dados.

Quando as Luzes se Apagam (Lights Out, 2016) é bom filme clichê de terror, com muitos sustos e de assombrações, e especialmente bom para você esfregar na cara de quem te zoa que seu medo de escuro é um medo legítimo (ou quase isso).

Bonus points pelo protagonismo feminino e pelo foco no amor familiar (own).

Nota: 5/10.

Mother! (2017) *

Medo-de-um-monte-de-gente-estranha-entrando-na-sua-casa-e-bagunçando-tudo-e-sentando-na-sua-pia. Ok, pode não ser um medo real, e Mother! pode nem ser um filme de terror propriamente dito, mas ô filme para deixar um mais angustiado.

Do mesmo diretor de Cisne Negro (Black Swan, 2010) e Requiém para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000), eu tinha expectativas altas (pois: filmões) e não saí decepcionada. Mother! é um filme acelerado, confuso e recheado de simbolismos. A atmosfera crescente do filme é de desespero e impotência e particularmente eu saí do cinema com falta de ar e uma pá de perguntas e teorias na minha cabeça.

Goste ou não, você vai ficar falando e pensando sobre Mother! por um tempo. E para mim isso já vale a experiência.

Por último: NÃO SENTA NA PIA!!!!1!!!11

Camiseta Mother da Sound & Vision.

Nota: 9/10, pois: filmão, ainda que em partes meio brega e exagerado. A experiência, a fotografia e as teorias conspiratórias valem a pena.

Happy Death Day (2017) *

Medo-de-morrer-mas-ressuscitar-e-voltar-no-tempo-e-ficar-revivendo-o-dia-da-sua-morte-e-morrendo-1001-vezes-até-descobrir-o-seu-assassino. Vocês eu não sei, mas Deus me livre morrer e descobrir que eu preciso reviver o mesmo dia infinitas vezes. Ainda mais um dia de ressaca e faculdade. Por favor, só me deixem morrer em paz.

A Morte te dá Parabéns (Happy Death Day, 2017) foi um filme que eu decidi que PRECISAVA ver na estreia, desde que eu vi o trailer meses atrás. Particularmente não esperava muita coisa, eu só fiquei muito interessada e curiosa pela história mesmo. E lá fui eu, correndo pro cinema assim que o filme estreiou.

Minhas expectativas foram superadas, o filme é bem divertido e engraçado, e, apesar de repetir o mesmo dia algumas (muitas) vezes, não se torna um filme chato nem repetitivo. De terror não tem nada, fora o suspense básico de quem seria o assassino e por que diachos a protagonista fica presa no dia da própria morte. Mas tem uma premissa boa, piadas engraçadas com bom timing, um final "surpreendente" e um enredo bom, e pra mim isso já basta.

Nota: 8/10, quase um Feitiço no Tempo macabro, valeu minha pipoca.

Semana 2 — Remakes

Geralmente eu sou bem preconceituosa com remakes (por exemplo, precisava de uma refilmagem americana de Oldboy? acho que não hein Hollywood, could u pls stop), mas consigo reconhecer que alguns ficam bons, prestam homenagens sinceras aos originais ou até mesmo chegam a superar os primeiros (ainda que em alguns casos essa conquista não seja tão difícil assim).

Durante a semana dos remakes, minha sensação em relação aos filmes escolhidos foi de que gostaria de ter assistido os originais. Sinto que perdi uma boa parte da experiência por ter perdido as possíveis referências, homenagens e comparações às cenas e histórias originais. Mas vida que segue™ e vamos lá.

It (2017)

Mesmo não tendo visto o-filme-de-TV-dos-anos-90-com-3-horas-de-duração-e-com-o-Frank’n’Furter-como-Pennywise, nem tendo lido o-livro-de-mais-de-1000-páginas-do-Stephen-King, eu admito que estava bem ansiosa para esse lançamento — todo o hype, trailers, divulgações da cena de abertura e do novo look do Pennywise ajudaram bastante para isso.

It é um filme muito bem feito, Hollywoodiano, com uma boa produção e boa atuação por partes dos atores mirins (destaque pro Finn Wolfhard, também da série Stranger Things, dono do meu coração). Bill Skarsgård ficou perfeito como o palhaço-demonho (sic) Pennywise, que estava assustador, e, por mim, inclusive, poderia ter até aparecido mais.

Tenho medo de acordar de madrugada para beber água e encontrar o Pennywise dançando na minha cozinha.

Também não pude deixar de ficar surpresa com o protagonista gago (e mais surpresa ainda de saber que a gagueira dele provém do livro e que quase foi cortada se não fosse pela mudança de diretor) — mas ainda fiquei tristinha com a baixa, estereotipada e por vezes sexualizada representatividade feminina.

De um modo geral, eu curti e quero ver a sequência. É um bom filme de cinema.

Nota: 7/10.

Evil Dead (2013)

Sangue, pessoas burras (SÉRIO que você vai achar um livro que invoca o capiroto em uma cabana macabra e abandonada e vai ler as instruções em voz alta quando no próprio livro diz para NÃO ler em voz alta? BURRO.), sangue, pessoas possuídas e endemoniadas, mais sangue, tripas, chuva de sangue, e um pouco mais de sangue é um bom resumo desse filme.

BLOOOOOOOOOD!!!! (gif retirado desse excelente link sobre Evil Dead do Buzzfeed — recheado de spoilers)

A Morte do Demônio (Evil Dead, 2013) é aquele filme típico de terror com demônios, muito sangue e muito gore. Gostamos? Gostamos. Fiquei curiosa para ver o original porque, pelo o que eu li, existem muitas conexões entre a refilmagem de 2013 e o original de 1981.

Nota: 6/10.

I Spit on your Grave (2010)

Uma garota brutalmente abusada por vários homens, colocada à beira da morte, mas que consegue escapar e busca vingança contra seus estupradores: esse é o enredo de Doce Vingança (I Spit on your Grave, 2010).

Vingança é bom e nóis gosta (nos filmes, gente, nos filmes), vingança sangrenta é melhor ainda e vingança contra estuprador é cereja do bolo. Entretanto, as cenas de estupro são explícitas e pesadas e vai aí o alerta de gatilho para isso.

Nota: 5/10.

The Hills Have Eyes (2006)

Um filme com criaturas deformadas pela radioatividade decorrente de testes realizados em uma localidade desértica e isolada, que de alguma forma se tornam predadores sangrentos.

Viagem Maldita (The Hills Have Eyes, 2006) é um filme no geral amarelo, que carrega o tom árido do local em que passa. O resumo: criaturas degeneradas atacando sem precedentes uma família chata. Eu já tinha assistido esse filme há anos e revi para o desafio. Não curti tanto assim.

Nota: 4/10.

Semana 3 — Anos 80

O fracasso da minha experiência, minha semana dos anos 80 foi constituída de apenas um filme (kkkkk). Mas só porque não tive tempo: Poltergeist, The Fly, The Changeling e Fright Night continuam na minha watchlist.

Pet Sematary (1989)

Ok, foi um único filme, mas que definitivamente valeu pela semana.

Cemitério Maldito (Pet Sematary, 1989) para mim é um exemplo perfeito do que um filme de terror macabro dos anos 80 é ou deveria ser. Enredo bizarro? Temos. Atuações ruins? Temos. Sangue e cenas macabras mal feitas? Temos. Props mal feitos? Temos também.

Honestamente, credo.

Mais uma história do rei do terror Stephen King, foi uma surpresa muito boa para mim, que fui ingenuamente assistir, com as expectativas baixíssimas, acreditando ser ~apenas~ um filme estranho sobre um cemitério místico para animais, que, enterrados ali, ressuscitariam só para aterrorizar os humanos da cidade. Achei que ia ver gatos e cachorros se comportando de forma diabólica e comendo pessoas, acabei vendo coisas mais diabólicas ainda e ainda com um viés depressivo e infeliz. Adorei. Destaque para uma cena de luta que chega a ser cômica e para o final infeliz.

Nota: 8/10 merecido, filme bem macabro e bem anos 80, ótima diversão.

Semana 3.2 — o retorno dos que não foram: Ingrid's random picks

Admito que aproveitei o desafio para ver todos aqueles filmes de terror que eventualmente despertaram minha curiosidade, mas não a ponto de vê-los imediatamente. Alguns eu já paquerava há algum tempo mas deixava na geladeira da minha lista da Netflix, outros foram indicações. Aproveitei e tirei esse atraso e segui dicas sem receio ou peso na consciência.

Então, para compensar a (ausência da) semana dos anos 80, uma pseudo-semana dedicada às minhas escolhas aleatórias, que acabaram não se encaixando em nenhuma das categorias originais.

Would You Rather (2012) *

O pôster por si só já chama a atenção: um olho prestes a ser cortado por uma lâmina (Buñuel much?). O enredo promete um milionário sádico que propõe um jogo macabro para pessoas necessitadas de dinheiro (incluindo a protagonista, que está tentando pagar o tratamento de câncer do irmão mais novo) e nessa vibe Jogos Mortais (para mim, um guilty pleasure antigo, que já me fez ser barrada no cinema várias vezes por muitos anos) eu já fui fisgada.

Apesar da impressão inicial, Would You Rather nada tem a ver com a franquia sangrenta. O filme trabalha na base de um terror mais psicológico, apresentando um jogo cruel de "você prefere A ou B?", que te deixa refletindo sobre quais alternativas você escolheria em cada desafio proposto. Além disso, apesar do pôster e da premissa, apresenta poucas cenas com sangue, e nenhuma de gore ou muito explícita. A reflexão inicial é até onde se vai por dinheiro.

O final, apesar de um pouco previsível, ainda tem o efeito de choque e a atuação da Brittany Snow na pele da protagonista aflita e heróica merece destaque.

Nota: 7/10.

Scare Campaign (2016) *

Um filme sobre uma pegadinha de terror que dá errado, e que depois ainda tem mais uma reviravolta para complicar ainda mais a história. Parece promissor, mas não traz nada demais. O final não é tão intrigante e a história se desenrola de uma maneira um pouco embolada.

Ainda assim, é uma boa diversão como filme de terror e de sustos.

Nota: 6/10.

Lavender (2016) *

Uma fotógrafa que sofre um acidente, descobre várias fraturas no crânio e começa a ter visões sobre sua infância esquecida — e assim minha curiosidade foi despertada. Não é um filme excepcional, nem o final surpreende muito, mas prende seu interesse até o fim, ainda que enrole um pouco no percurso.

Nota: 5/10.

The Uninvited (2009) *

Duas irmãs investigando a nova madrasta, a qual desconfiam ter um passado obscuro e estar diretamente envolvida na morte da mãe delas. Uma premissa básica e um pouco clichê, O Mistério das Duas Irmãs (The Uninvited, 2009) consegue prender a atenção e se desenvolve muito bem, culminando em um final inesperado — que só não me agradou mais por me lembrar de um filme daqui dessa mesma lista, com um final bem parecido mas mais bem executado.

Particularmente acho a Elizabeth Banks uma atriz muito boa (tanto em comédia quanto em um filme de suspense) e acredito que ela conseguiu contribuir bastante ao dar um ar mais malvado e misterioso para a madrasta.

Nota: 6/10, mas vale a pena assistir.

El Bar / The Bar (2017) *

What. The. Fuck. Esse foi o meu sentimento geral para O Bar (El Bar, 2017), filme que só assisti pela sinopse curiosa de suspense. Apesar de ter uma premissa muito boa, é um filme com cenas bem gráficas e nojentas (não só de sangue e corpos putrefatos, como também muitas cenas se passam no esgoto da cidade) e com diálogos, representações e piadas bem machistas. Não recomendo e também não assistiria de novo.

Nota: 4/10, por favor, não façam isso com vocês mesmos.

Semana 4 — Pós Horror

Um fun fact é que eu não assisti os filmes na ordem proposta, de forma que a última semana para mim foi, na verdade, a primeira a ser (quase) completada — exceto pelo brasileiro Quando Eu Era Vivo (2014), que não consegui ver a tempo (shame on you, Ingrid, o único brasileiro do desafio e eu não assisto) mas que ainda estou muito curiosa para ver.

O pós-horror, uma definição recente, trabalha com o conceito de um terror mais sutil e por vezes psicológico, não apelando para sustos e cenas de gore, e sim retratando e construindo atmosferas incômodas e propostas de reflexões para o público — o que faz esses filmes fugirem dos clichês e convenções do gênero.

Dos subgêneros do terror, com certeza esse é um dos meus favoritos, e daí o interesse rápido. Minha impressão é que, da seleção, esses foram os filmes mais bem feitos e trabalhados, tanto em direção, quanto fotografia, roteiro e atuações. Todos daqui eu recomendo bastante, apesar das minhas impressões variadas.

Grave / Raw (2016)

O filme que escolhi para iniciar meu desafio, que despertou meu interesse no MEDO em primeiro lugar, é definitivamente um dos meus filmes favoritos.

Assisti Grave pela primeira vez no Festival do Rio do ano passado e por pouco não saí no meio da sessão para vomitar (mesmo não sendo uma pessoa facilmente impressionável). Ainda que tenha pouquíssimas cenas bem explícitas, toda a atmosfera do filme é incômoda e só piora ao decorrer da trama, com o ápice em um final inesperado e bem executado.

Grave foi um dos filmes selecionados para a sessão Midnight Movies do Festival do Rio em 2016. O filme virou alvo de polêmicas e controvérsias após pessoas desmaiarem e passarem mal na exibição no Festival de Toronto.

Uma fotografia lindíssima, um roteiro original e bem construído, atuações excelentes e uma direção impecável, recomendo de olhos fechados, mas não para os de estômago fraco.

Estarei de olho nos próximos trabalhos da diretora Julia Ducournau, também responsável pelo roteiro, que merece palmas pelo excelente trabalho.

Nota: 10/10, quando um filme sobre canibalismo é tão bem feito que se torna um dos seus filmes favoritos.

The Blackcoat's Daughter / February (2015)

Chamar A Enviada do Mal (péssima tradução de February, 2015) de lento é um eufemismo generoso comparado ao ritmo arrastado do filme. Mas mesmo o passo desacelerado não tira o charme e o interesse da trama, que apresenta uma narrativa que se desenrola de forma peculiar e inusitada devido ao roteiro bem escrito, em cima de uma premissa aparentemente básica. February é digno de muitas reflexões e discussões, especialmente o final, e conta com várias cenas lindíssimas em termos de fotografia.

Uma das melhores atuações que já vi da Emma Roberts.

Me interessei em assistir também O Último Capítulo (I Am the Pretty Thing That Lives in the House, 2016), do mesmo diretor, que aparentemente conta com a mesma ótica pessimista e reflexiva de February. Ainda não vi, mas foi para a minha lista.

Nota: 7/10, vale a pena, mas seria melhor se não fosse tão lento.

Ich seh ich seh / Goodnight Mommy (2014)

Um terror psicológico bem pesado, o sentimento de dúvida e agonia só cresce ao longo da trama. E não consigo comentar muito mais sem estragar o enredo, que é diferente, surpreendente e consegue ser ainda mais inesperado no final.

Boa Noite, Mamãe (Ich seh ich seh, filme austríaco de 2014) se passa em apenas um cenário, uma casa linda e isolada na floresta, e foca em apenas 3 personagens: dois irmãos gêmeos de 9 anos e a mãe deles, que volta estranha e mudada de uma cirurgia plástica, com ataduras que lhe cobrem a face. A simplicidade do enredo faz com que ele se desenvolva e foque em questões mais sutis e agonizantes para quem assiste.

É um filme tão bem construído que eu assisti já sabendo o spoiler do plot twist máximo do filme e mesmo assim isso não estragou em nada, já que, pelo contrário, eu ainda consegui ser agradavelmente surpreendida.

Nota: 9/10, filmão, agoniante e surpreendente.

The Invitation (2015)

Um filme que vai se construindo muito bem e gradualmente aumentando a atmosfera de suspense, mas que peca na execução final. Essa foi minha impressão sobre O Convite (The Invitation, 2015), filme da diretora Karyn Kusama, conhecida por outros filmes com viés de terror, como um curta na coletânea de terror XX e também o longa Garota Infernal.

Aclamado por muitos, a mim não me agradou tanto, ainda que eu reconheça que é um bom filme para passar o tempo.

Nota: 6/10.

The Neon Demon (2016)

Elle Fanning pleníssima em The Neon Demon, que retrata um lado obscuro do mundo fashion com uma fotografia belíssima.

Glamour, brilho, glitter, purpurina, neon, luzes. Em uma palavra: moda.

O Demônio de Neon (The Neon Demon, 2016) é um filme glamuroso, com uma fotografia belíssima em que cada cena parece ter sido retirada direto de um editorial de moda. Ainda que a história e as atuações sejam um pouco fracas, é um deleite para os olhos e promove muitas reflexões a cerca do conceito de beleza: o que seria a beleza? Existe uma beleza verdadeira? O que é belo e quem dita o que é belo? O quão importante é a beleza e até onde você iria por ela? São apenas algumas perguntas e reflexões sutilmente propostas pela trama.

Nota: 7/10, filme belo, mas que faltou profundidade na história e nas personagens.

It Comes at Night (2017)

Escuridão e lentidão definem o ritmo de Ao Cair da Noite (It Comes at Night, 2017), como sugerido pelo próprio título.

Disfarçado pela premissa da doença que apossa o mundo e vai matando um por um, o foco do enredo na verdade são as relações humanas e como elas se transformam submetidas a um cenário de extrema pressão. A direção é boa e as atuações são excelentes, mas não fui tão convencida pelo enredo e pela história.

Nota: 7/10.

Into the Forest (2015) *

O que eu senti que faltou em It Comes at Night eu acabei encontrando sem querer em No Escuro da Floresta (Into the Forest, 2015).

O que o filme de 2017 tentou ser e não conseguiu, o Into the Forest apresentou com maestria e ainda contando com um protagonismo exclusivamente feminino, apresentado através de uma linda história de amor entre duas irmãs que tentam sobreviver sozinhas em um cenário pós apocalíptico.

Ellen Page e Rachel Evan Wood são duas atrizes excelentes por si só, e combinadas contribuem muito para a fórmula de sucesso do filme, conseguindo sustentar sozinhas as atuações pela maior parte da trama.

Uma observação: aviso de gatilho para estupro.

Nota: 9/10, excelente filme pós apocalíptico.

Gerald's Game (2017) *

Embora eu tenha encaixado Jogo Perigoso (Gerald’s Game, 2017) na semana do pós horror devido ao horror psicológico, sutil e alucinatório, ele poderia facilmente estar na semana dos maiores medos — afinal de contas, quem não teria pavor de ficar acidentalmente preso em uma casa isolada?

O filme, produzido pela Netflix, é mais um inspirado em uma história do Stephen King, e promete o que cumpre. Maior parte do enredo se passa de forma claustrofóbica em apenas um cenário, o quarto da casa, onde a protagonista se encontra presa à cama por algemas — consequência de uma brincadeira sexual que dá errado. Isso é o suficiente pra te deixar com medo e aflito o filme todo e sofrer junto com ela.

Também disfarçado por uma situação incomum, é uma história sobre lidar e enfrentar seus demônios — os internos, psicológicos, traumáticos, e não os usuais provindos do inferno, com chifre e caudas, responsáveis por possessões.

As cenas referentes à infância da protagonista são pesadas e muito bem filmadas e causam mais pavor e arrepio que qualquer cena clichê de terror recheada de sustos.

Nota: 8/10, você fica preso (han han tendeu?) à trama junto com a personagem principal.

Dos filmes da sessão Darkside (editora brasileira incrível dedicada ao terror e fantasia, com edições que fazem meu coração de designer e amante de livros bater mais forte — inclusive atualmente lendo Frankenstein na edição belíssima deles, da coleção Medo Clássico), infelizmente não consegui ver nenhum a tempo do desafio, embora eu já tivesse assistido Os Pássaros (The Birds, 1963), um clássico impecável do Hitchcock que me fez ficar desviando de pombos na rua (!!!) por uma semana. Esse eu recomendo fortemente, porque não é qualquer um que faz pássaros ficarem medonhos.

Os verdadeiros Angry Birds.

Fiquei interessadíssima nos outros dois filmes, em especial a coletânea de animações Extraordinary Tales, que retrata cinco histórias diferentes do autor clássico Edgar Allan Poe.

No geral, minha experiência ao fazer esse desafio foi no mínimo diferente e bem legal. Assistir 22 filmes em um mês já não é pouca coisa, de terror então… Foi muito interessante conhecer vários filmes, finalmente ter a oportunidade de assistir alguns que já gostaria de ter assistido antes e dar chance para alguns que eu a princípio não teria visto, além de descobrir o conceito do pós-horror e também conseguir desopilar do cotidiano corrido de uma forma bem inusitada.

Por causa do desafio, meu outubro e meu Halloween ficaram bem mais interessantes e horropilantes. A seleção de filmes e os temas propostos foram bem diversos e bem escolhidos, dando um bom panorama geral do terror atual, além de um pouco de história também. Definitivamente participarei do próximo MEDO — e será que com sorte e tempo consigo bater esse meu recorde de agora? Tomara :)!

E para quem quiser saber mais…

E a próxima meta agora? Alguns dos filmes que infelizmente ficaram de fora do meu desafio e também alguns dessa lista aqui, que me deixaram bem curiosa. Mas… dessa vez sem prazo, sem desafio, sem pressão e sem textão (será?).

E vocês? Tem mais algum filme de terror para indicar ou que acham que faltaram nessas listas? Alguma opinião bem diferente da minha sobre algum filme? Comenta aqui ou me manda um oi pelo Twitter!

Viva Outubro, viva Halloween, viva Dia das Bruxas! ❤

UX Designer solving problems through data-driven thinking; loves reading, cinema, tattoos & sci-fi. Fighting for a more gender-equal world.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store