Aprendizado e autoconsciência:

Por que saber mais sobre si mesmo pode ajudá-lo a aprender de forma mais eficiente?

Há alguns anos tenho lidado diariamente com pessoas em busca de aprender algo, no meu caso, mais especificamente, um idioma: inglês. E não raro acabo me deparando com pessoas que, na verdade, buscam uma solução mágica, instantânea ou, se possível, pronta.

A questão é que quando se trata do processo de aprendizado, e a partir daqui meu discurso se apoia mais na minha experiência como “aprendedora” que como “educadora”, não existe fórmula mágica que sirva perfeitamente a todos, nem mesmo fórmula que sirva perfeitamente a um indivíduo por grande extensão de tempo.

Mas o cerne da questão é: por que ainda existe, então, uma grande e crescente aceitação do público em relação a métodos ou fórmulas mágicas, que prometem mundos e fundos em um espaço de tempo incrivelmente pequeno? Bem, eu diria que não é uma resposta simples, mas boa parte dela pode ser respondida se considerarmos que, na verdade, as pessoas, de forma geral, aceitam qualquer coisa por não saberem o que buscam.

Por não estarem cônscias daquilo que perfaz seus desejos, vontades, gostos, prazeres, necessidades etc. enquanto indivíduos, tendem a, ansiando o que chamo de “felicidade doutrinária”, serem levadas a um estado de grande atropelo emocional, onde se faz o que se faz, mas ninguém sabe exatamente por quê.

Infelizmente, este é um padrão comportamental recorrente e muito mais abrangente do que gostaríamos. Não se restringe, em absoluto, ao processo de aprendizado de um idioma, tampouco ao processo de aprendizado de forma geral.

Mas, e o que nos impede, então, de estarmos mais conscientes?

Pois bem, este padrão de comportamento pode ser observado em boa parte dos relacionamentos, por exemplo, reforçado nas grandes “boutiques de felicidade” que são as redes sociais, onde a sensação que se tem é de que todos estão plenos, felizes, bem-sucedidos e “eu não posso ficar por baixo”.

O que nos leva a um interessante processo de massacre das nossas derradeiras necessidades, pois a fim de construirmos uma imagem suficientemente “boa e digna” de nós mesmos, perdemos a oportunidade de identificar aquilo que poderia ser melhorado. Não permitimos que tenhamos contato com as nossas falhas.

E como isso pode me ajudar a aprender de forma mais eficiente?

Vou responder com uma pergunta bastante lúdica e simples: quando você vai ao supermercado fazer suas compras, você simplesmente leva pra casa itens aleatórios ou você dá uma olhada na geladeira e nos armários para ver o que ainda tem e o que está faltando?

É possível que você leve itens importantes escolhendo aleatoriamente? Claro que sim. Mas as chances de você desperdiçar tempo e dinheiro comprando coisas desnecessárias em detrimento do que está realmente em falta são muito grandes.

O mesmo acontece quando optamos por fórmulas prontas ao encararmos uma jornada de aprendizado. Se não paramos antes para analisar com cuidado aquilo que precisamos, as chances de desperdício são consideravelmente maiores.

Cuide da forma como você investe sua moeda mais preciosa: seu tempo.

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