Vamos escutar os sensates?

Talvez tenha sido aquele primeiro contato assustado e tímido entre Riley e Will que prendeu minha atenção. A menina problemática islandesa de olhar triste e seu estilo gótica suave, foi logo quem me encantou. E os motivos são óbvios, houve uma identificação, ou melhor, uma projeção. Do outro lado, o rapaz certinho, o oposto dela: um homem da lei com expressão de menino meio perdido, mas que surpreenderia de várias formas e não seria tão entendiante como aparentava.

À medida que fui mergulhando naquele universo, o encanto só aumentou. E não só pelo enredo em si, mas pelas suas nuances, entrelinhas e, claro, pela riqueza infinita de cada um dos personagens e suas histórias particulares. E como elas se entrelaçam, como elas se assemelham, apesar das enormes diferenças.

Ah, claro, estou falando de Sense8, produção da Netflix de ficção dramática criada, escrita e dirigida pelas incríveis irmãs Wachowskis (Matrix) e J. Michael Straczynski.

Apesar de muitos acharem a série “panfletária”, o que sinceramente acho uma opinião deveras problemática, enxergo Sense8 como uma obra necessária e problematizadora, que ultrapassa toda a atmosfera de viés científico a que inicialmente se propõe.

Será realmente que um seriado que aborda ampla, explícita e abertamente temas como transexualidade, homossexualidade, misoginia, machismo, abuso infantil e psicológico, pobreza extrema, entre tantos outros problemas e mazelas sociais pode ser considerado algo que apoia com radicalismo uma ideia ou utopia? Não são esses também alguns dos temas que temos cada vez mais discutido e pelos quais temos lutado com tanta força hoje em dia, afinal?

Ontem terminei de assistir à segunda temporada, após uma maratona intensa de dois dias e só posso dizer que a terminei quase sem fôlego. Só consigo expressar com três letras: UAU! Mais uma vez, os criadores — leia-se gênios, conseguiram transmitir textos, cenas, sequências e até alívios cômicos incríveis. Não foi melhor que a primeira temporada, mas da mesma forma conseguiu balançar meu coração.

Considero Sense8 uma das minhas séries favoritas da atualidade e olha que eu assisto a muitas. Gostaria muito que a mensagem contida (e olha que há tantas…) em cada diálogo, reflexão ou discurso fosse compreendida e passada adiante e, principalmente, colocada em prática. A série é um exemplo de empatia, uma palavrinha que anda esquecida no fundo da gaveta de muita gente, e até mesmo na minha. Nada como a arte para nos fazer olhar para dentro, nos autoanalisar e, sobretudo, tentarmos ser ainda melhores, por nós mesmos e pelos outros. Obrigada, Sense8, por ilustrar isso tão bem.

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