Vivendo nos dias de Jeremias
Nada de novo debaixo do sol. Corrupção. Fome. Injustiças sociais. Pobre oprimido. Instituições que não funcionam. Nada de novo debaixo do sol. Isso foi dito há mais de 2.000 anos e, realmente, tudo parece girar e acontecer de forma igual. Vivemos a eterna sensação de Salomão. Acordamos. Jornal. Tragédias. Políticos. Crise financeira. Mudamos de canal. Filme comédia. Rimos. Conversamos virtualmente. Damos likes…Uma eterna gaiola de rato de laboratório.
Jeremias, o dito profeta chorão, se debulha em lágrimas em dois livros na bíblia, ao notar a maldade e corrupção humana. Críticas e mais críticas são feitas por ele aos poderosos reis e sacerdotes de seu tempo. Reis orgulhosos, exaltados e arrogantes, morando em mansões construídas no abuso do pobre. Sacerdotes exploradores da Palavra para bem próprio. Jerusalém era uma nação corrupta desde as crianças até os mais idosos. A nação chamada de santa e um dia tendo sido tão poderosa, estava sendo invadida por povos como os medos, babilônios, assírios e um Egito que ainda estava tentando retornar ao seu poder de outros tempos. A bíblia conduz fatos em que todo esse sofrimento que os israelitas passaram, foi devido ao afastamento do povo com Deus e, consequentemente, de seus governantes corruptos. Trazendo para nosso tempo todo esse drama de Israel, a gente capta a realidade do quão destrutivo se torna um povo/nação quando corruptos e exploradores chegam ao poder/governo. Não é difícil enxergar isso atualmente já que estamos vivendo na pele o estado em que Israel viveu nos tempos de Jeremias. E o mais pesado (e o profeta também se alarma muito quanto a isso) é o não comprometimento do Estado com as pessoas mais pobres. O profeta alerta aos governantes, em discursos acalorados em praça pública e até mesmo nos templos, que era preciso olhar para os oprimidos e que era necessário uma reforma que os beneficiassem de alguma forma. E aí o convite se estende pra uma reforma não só política mas, a reforma interior, do homem com a Lei.
É um livro a ser ainda mais discutido por mim. É um divisor de águas. Mudei inclusive muitas concepções minhas, principalmente política e no sentido de enxergar o próximo, o pobre, o criminoso, o homem em si, de forma diferente. Não dá pra em um texto fazer todas as ressalvas que esse livro traz. Se fosse nos dias de hoje, Jeremias gastaria seus dedos digitando ‘’textões’’ no facebook e, assim como foi taxado no seu tempo, seria visto como um louco. Jeremias era jovem (JR 1:6) quando Ele o chamou para alertar as pessoas. Sua sensibilidade vai aumentando ao longo de sua missão e parece nos mostrar que, quanto mais adentramos na situação, mais tristes e inconformados com as injustiças ficamos. É assim que me sinto ás vezes quando paro pra observar não só meu país mas o mundo e a situação degradante em que nós homens estamos atualmente. O convite do profeta é voltarmos aos princípios divinos e obedecer a Lei. E a Lei nos é muito clara quanto a importância de termos relações saudáveis com nosso próximo. Dos dez mandamentos, inclusive, seis são princípios para que nós façamos com o próximo, o mesmo que gostaríamos que fizessem com a gente. São valores pra que uma sociedade viva em paz. (honre seus pais, não mate, não cometa adultério, não roube, não minta, não cobice a coisa alheia).
Jeremias implora ao povo pra que mudem seu comportamento. Eu não tenho a influência, tampouco a força que ele teve pra fazer tal pedido a alguém. E no clichê ‘’eu não posso mudar o mundo’’, começo essa mudança a partir de mim mesma. Tentando ao máximo seguir uma Lei que, basicamente, nos pede para amar um Deus (que nos sustenta e nos mantém) e amar ao nosso próximo (o que talvez seja o mais difícil, porém, a gente segue tentando). Não será eu que desperdiçarei o convite do profeta e dEle para olhar mais ao próximo e amá-lo como a mim mesmo.
