GUNDAM THUNDERBOLT: SEM VENCEDORES NA GUERRA

Anime de mechas mostra dois lados do conflito sem privilegiar nenhum.

NOTA: 
Texto publicado originalmente no site
METAGENE (16/07/16).

De tempos em tempos surgem histórias que te dão um tapa na cara 
e te fazem pensar na nossa realidade. Gundam Thunderbolt é uma dessas.

Baseado no mangá homônimo, Mobile Suit Gundam Thunderbolt é uma série especial de quatro episódios da franquia Gundam, que depois foram unidos 
e transformados no filme Mobile Suit Gundam Thunderbolt: December Sky.

Como a história funciona muito bem em ambos os formatos, recomendo 
que assista a versão que preferir. Independente de como gostar mais, 
não perca a chance de ver essa incrível valsa.

Valsa? Sim. Thunderbolt é uma dança de mechas. Diferente de outros Gundam, a série não dá espaço para que possamos escolher um lado sem ficar 
em dúvida. Ambos nos são apresentados em um paralelo quase perfeito: 
cena após cena, vemos como cada uma das partes desse confronto vivem, 
o quanto estão sacrificando neste combate, e o bem e o mal que cada um deles representam.

E isso fica bem claro quando prestamos atenção nos personagens principais 
da série.

Thunderbolt consegue nos mostrar até a vida cotidiana de cada lado em poucas (e boas) cenas.

De um lado temos Io Flemming, o principal piloto da Federação da Terra. Filho de militares e criado na guerra, Io parece não conseguir viver fora 
do combate, quase como se tivesse criado algum tipo de desordem mental que o impede de ter uma vida normal. Io escuta free jazz durante o combate 
para não ouvir os gritos de seus inimigos em sua cabeça, e se torna o piloto teste do robô Full Armor Gundam, uma máquina de combate tão perigosa para aquele que o está guiando quanto para seus inimigos. 
Ele é liderado por Claudia Peer, capitã da Federação, que se dopa para suportar o fardo das decisões de batalha. Ambos — bem como o restante 
dos pilotos da Federação — são órfãos, iniciados na guerra desde cedo, poderosos pelo número de combatentes em sua frota, e fracos pela falta 
de experiência das crianças e adolescentes que a compõe. 
E sim, você leu direito: é uma frota composta quase inteira composta 
de pessoas jovens, que eu chuto ter entre 10 e 17 anos.

E do outro temos Daryl Lorenz, sargento de destaque e principal sniper 
da frota de Zeon. Daryl é mais um dessa grande frota quase que inteiramente composta por pessoas com algum tipo de deficiência física, e que perderam seus membros em combate. Daryl perdeu seus pés no começo da guerra, 
e está sempre escutando músicas pop para lembrar dos dias normais e pacíficos, quando ainda podia correr livre e despreocupado. 
Ele conta com o apoio de Karla Mitchum, a médica e cientista que auxilia 
os pilotos Zeon com suas próteses — outra personagem que está enlouquecendo com tantas perdas. Mais tarde, Daryl sacrifica suas mãos 
para conseguir pilotar o Psycho Zaku, principal arma desenvolvida 
por sua frota, tudo para poder se vingar por seus membros e amigos 
perdidos em combate.

Thunderbolt nos mostra a guerra em um ponto crítico: ambos os lados 
da disputa em estado grave, sacrificando crianças ou deficientes, 
lutando em um espaço hostil, e apostando suas últimas fichas para vencer 
o combate. Diferente do formato de enredo com o qual estamos acostumados, em que acompanhamos a história de um único ponto de vista, Thunderbolt nos mostra um lado da guerra muito diferente e real: vemos uma batalha sofrida, de sacrifícios, sem lado certo ou errado, com mais perdas 
do que ganhos para todos nela.

Full Armor Gundam e Zaku II: as duas das principais armas do anime.

Sua história, embalada por uma das trilhas mais bem elaboradas 
que vejo em anos
, é uma verdadeira dança. Vemos como os dois lados são, como cada ação de um gera um movimento em resposta do outro, e tudo sempre acompanhado da animação de extrema qualidade do estúdio Sunrise.

Mobile Suit Gundam Thunderbolt é um exemplo de como fazer um anime 
de mechas, e uma história para se admirar como arte. É para quem busca 
ação inteligente. Uma animação que conseguiu ser poética, real e visceral.

E que, no fim, ainda te faz pensar: 
será que é possível ganhar algo com uma guerra?

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