Como formar hoje o profissional que atenda às revoluções que a tecnologia trará no futuro?

Apesar de existir uma preocupação constante com o futuro no qual provavelmente existirão profissões que ainda desconhecemos, já estamos atrasados para esse debate. Os profissionais que temos formado já não são adequados às demandas atuais do mercado.
Fotografia: Analice Paron

Assim como a primeira revolução das máquinas substituiu a força dos cavalos, as novas tecnologias têm substituído ou ampliado os poderes dos seres humanos”. afirmou Eduardo Peixoto, diretor de negócios do CESAR, na abertura do ACONTECE Educação 2017. Para Eduardo, é preciso que a sociedade se conscientize de que não é mais possível ignorar os fortes impactos que a presença da tecnologia tem trazido para as relações humanas com a sociedade e a tecnologia. Diante dessa necessidade, um importante questionamento é levantado: Como poderemos formar profissionais para um futuro em que conviveremos com máquinas, poderemos pensar com as máquinas e quem sabe até sermos substituídos por elas?

Ao mesmo tempo que se considera a necessidade de inovação na formação profissional, Antônio Amaral, diretor da Escola Eleva, destaca a extrema importância da reflexão sobre o papel da escola e dos educadores na resolução deste problema. Para ele, “A escola do Século XXI não é simples e precisa abrir suas portas ao diálogo com outras instituições, ampliando suas redes de relacionamento, de colaboração e de aprendizagem”.

Foi neste contexto dos desafios da educação perante um cenário tecnológico iminente, que foi iniciado, em 08 de junho de 2017, na Escola Eleva, no Rio de Janeiro, o ACONTECE Educação. O evento, correalizado pelo CESAR e a Escola Eleva, teve como tema “O Profissional do Futuro”, e foi dividido em dois blocos de discussões e um momento final de provocação.

O primeiro bloco trouxe o debate sobre os desafios para a formação do profissional do futuro. Sofia Esteves, da Cia de Talentos, Maurício Garcia, do Grupo Educacional Devry e Anna Penido, do Instituto Inspirare, trouxeram importantes reflexões sobre o tema, juntamente com a mediação de Rafael Ávila (Rafão), diretor de internacionalização e inovação do Grupo Anima Educação. Durante a discussão algumas questões foram levantadas: Qual o perfil do profissional do futuro? Quais habilidades são requeridas? Os sistemas educacionais estão preparados para formar estes profissionais?

Fotografia: Analice Paron

Apesar de existir uma preocupação constante com o futuro no qual provavelmente existirão profissões que ainda desconhecemos, estamos atrasados para esse debate, afirmou Sofia Esteves. Ela ressalta que já não temos formado profissionais adequados às demandas atuais, haja visto as necessidades constantes que as empresas têm tido de reduzir as competências exigidas para atender às suas demandas, e dadas as dificuldades existentes no preenchimento das posições oferecidas.

Se por um lado existe a carência de profissionais capacitados para as demandas atuais do mercado, por outro, é possível perceber a inadequação dos cenários de formação profissional e a sua urgente necessidade de transformação. De acordo com Maurício Garcia, é preciso ampliar as condições de formação dos profissionais para o desenvolvimento de competências que os capacitem para o trabalho em atividades relacionadas à competências que não podem ser substituídas pela tecnologia, como a criatividade, a tomada de decisão e a intuição, por exemplo.

O papel da tecnologia como Agente Transformador da Educação fomentou os debates do segundo bloco. Durante as discussões, Felipe Furtado, do CESAR, Mila Gonçalves, da Fundação Telefônica Vivo e Liana Brazil, do Superuber, contaram com a mediação de Carla Uller, gerente de Educação e Inovação Social do Instituto Oi Futuro para trazer reflexões e experiências próprias sobre o tema. Questões sobre como os professores podem utilizar tecnologias como Programação e Realidade Virtual de forma realmente disruptiva e não apenas como uma réplica digital das práticas pedagógicas tradicionalmente estabelecidas; Sobre o modo como essas tecnologias têm sido apresentadas em contextos educacionais e qual a importância do seu uso para os jovens, tanto no mercado quanto na sociedade, nortearam as discussões deste bloco.

Fotografia: Analice Paron

De acordo com Mila Gonçalves, não há dúvidas de que precisamos de mudanças disruptivas na escola, porém precisamos ter em mente que não existe apenas um único modelo de inovação a ser seguido. A esse respeito, ela afirma: “Cada inovação é única no contexto em que está inserida.”. Mila ressalta ainda que não é apenas a tecnologia que tem o poder de trazer a inovação para a escola. Durante seu trabalho no Inova Escola, uma rede de aprendizagens entre escolas inovadoras, ela constatou a existência de outros fatores além da tecnologia em si, que podem ser determinantes no processo de fortalecimento da inovação em cada ambiente educacional.

Para Felipe Furtado, assim como o uso das tecnologias, a programação também não deve ser o elemento central dos processos de inovação em ambientes educacionais. Sobre esse aspecto, ele destaca que mesmo em projetos de inovação com grande aporte de tecnologias, a formação e a participação de todos os envolvidos, sejam estes os professores, os alunos, a gestão ou as demais pessoas da comunidade escolar, devem ser os agentes com maior preponderância nesses projetos. Furtado afirma ainda que, em todas essas atuações, o desenvolvimento de competências intra e interpessoais, como liderança, comunicação, colaboração, criatividade e pensamento crítico devem ser fortemente consideradas nesses contextos, e cita o Pernambucoders como um exemplo de projeto em que o desenvolvimento dessas competências são uma forte premissa.

Por sua vez, para Liana Brazil, a Realidade Virtual tem um potencial enorme para a educação, dentre outras coisas, por permitir aos usuários uma participação completamente focada e imersa em uma experiência transdisciplinar, como ocorre por exemplo, nas exposições concebidas pelo SuperUber para o Museu do Amanhã e para o Museu da Língua Portuguesa. Para ela, “a Realidade Virtual pode ajudar a criança no prazer pela investigação e descoberta do conhecimento, a partir de experiências interativas, com mensagens curtas e profundas, com grande quantidade de conhecimento mas que transparecem a sensação de que aquele conhecimento não acaba ali”.

Fotografia: Analice Paron

A finalização dos debates ficou a cargo de Luciano Meira, PHD em Educação Matemática pela Universidade da Califórnia e Coordenador de Ciência e Inovação da Joy Street, uma empresa de tecnologias educacionais lúdicas do Porto Digital. Com suas provocações, Luciano levou o público a refletir sobre a abolição da sala de aula como lócus de aprendizagem, a necessidade de transformação desses espaços para que a inserção das tecnologias sejam efetivamente para a aprendizagem dos participantes e sobre como construir sistemas educacionais baseados na promoção do trabalho, da imaginação e da participação social.

Segundo Luciano, todos os projetos que deram certo, que preparam de alguma forma e que constroem com professores e alunos um futuro, foram projetos que abdicaram da aula. Para ele, “ a aula enquanto montagem metafórica montada na ideia de transmissão de conhecimento, retenção de aprendizagem e esse tipo de formulação não faz mais nenhum sentido”. Contudo, ainda que a ideia de aula tenha falido, para ele, tanto a escola quanto a sala de aula devem permanecer, e mais ainda, serem fortalecidas. Inclusive a sala de aula como ponto de encontro, tendo em vista que a escola deve ser um espaço atrator de comunidades e de suas demandas e desejos.

Ele ainda provoca: como é que podemos transformar a escola e o seu potencial de escuta em um ambiente que se transforma coletivamente? Como podemos transformá-las em makers spaces, para a produção de práticas e artefatos, visando o desenvolvimento do pensamento computacional, pensamento crítico, inteligência social e desenho de futuro, mais relacionados às necessidades do mercado e com desenvolvimento de abordagens socioemocionais, como as relacionadas às competências de resiliência e liderança?

Assim, todos os debatedores do ACONTECE Educação compartilharam a consciência de que com o avançar dos conhecimentos técnicos e científicos sobre temas como nanotecnologia, biotecnologia, Internet of Things e Big Data, as atividades automatizáveis têm sido cada vez mais terceirizadas às máquinas, delegando aos humanos o uso de competências cada mais vez mais complexas para a continuidade do desenvolvimento social e econômico dos contextos em que se encontram inseridos. Ficando os seguintes desafio para todos: como poderemos acelerar as transformações da educação para atender a essas demandas? Como inovar para esses contextos? Certo é que a formação do Profissional do Futuro precisa começar hoje, e cada um pode dar sua contribuição dentro de sala de aula.

O CESAR atua na área de Educação com uma abordagem focada em mercado, com a visão de que é necessário contribuir com a redução do abismo que existe entre o que é ensinado nas escolas e universidades, e o que é esperado e exigido no mercado de trabalho. Dessa forma, desenvolve projetos educacionais em parceria com empresas de todo o Brasil, e também por meio da sua faculdade, oferece cursos de extensão, pós-graduação e mestrados profissionais.

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