Sala de aula invertida: A metodologia SESI

Experiências do Ensino Médio para o Ensino Superior

Quantas vezes você já se sentiu desmotivado por estar aprendendo algo que não faz sentido pra você ou se perguntou qual a aplicação de determinada disciplina? É senso comum que, se não sabemos como aplicar o conhecimento, a vontade de aprender diminui. Assim é na maior parte das instituições desde escolas às universidades.

E se fosse diferente? E se você pudesse estudar o que te interessa e, mesmo assim, não perder os conteúdos essenciais à sua formação? Essa foi a pergunta que Marcia Rigon se fez ao criar a metodologia “Oficinas de aprendizagem”, que hoje é aplicada na rede de colégios SESI Paraná.

As oficinas de aprendizagem visam aumentar o engajamento do aluno, permitindo que eles escolham um tema de que eles gostem para estudar e que, a partir deste tema, as disciplinas estejam todas relacionadas. Esta metodologia permite a contextualização de conteúdos que, até então, não tinham relação entre si ou com o dia a dia do aluno.

A cada novo termo, os alunos têm a chance de escolher uma nova oficina para fazer, com assuntos diferentes em cada matéria e com um novo tema para unir todos estes assuntos. Os alunos têm a chance de gerenciar seu próprio aprendizado. A razão por trás de todas as aulas está no desafio da oficina, que é dado no primeiro dia de aula e deve ser solucionado ao final da oficina.

Exemplo: A oficina CSI fez com que os alunos refletissem a respeito do uso da ciência e tecnologia no cotidiano e os desafiou a desenvolver a capacidade de resolução de problemas. Baseada no seriado de perícia criminal, a oficina trabalhou desde biotecnologia, nas aulas de biologia, guerras mundiais em história e geografia e a relação entre o ser humano e a tecnologia em filosofia, por exemplo.

No início de cada bimestre, após escolhido pelos alunos quais serão os temas das oficinas, as equipes são definidas. Sim, grande parte do trabalho desenvolvido durante a realização das oficinas de aprendizagem é feito em equipe. Afinal, o relacionamento interpessoal é uma qualidade necessária a todos nós, então por que não começar a incentivá-lo logo na escola?

O trabalho em equipe nos colégios pode ser muito mais do que simplesmente dividir partes do trabalho e apresentá-lo à turma. Na metodologia SESI, normalmente divididos em equipes de 5 alunos, eles trabalham em conjunto desde o início da oficina, partindo da problematização do tema até a resolução final do desafio proposto pela oficina. É claro que o esforço individual do aluno também é levado em consideração, pois cada um deles tem um comprometimento com estudos, pesquisas e aprendizados individuais durante o processo, além dos trabalhos e apresentações. Porém, o relacionamento em equipe proposto pela metodologia — principalmente por envolver grupos mistos, que reúnem pessoas com idades diferentes, que pensam diferente — acaba desenvolvendo a capacidade cognitiva dos educandos, preparando-os para serem capazes de resolver problemas diversos, ao invés de simplesmente absorver conteúdo teórico. Os alunos precisam questionar, perguntar, debater, para juntos chegarem a um consenso e a uma decisão final.

Um bom exemplo que representa esse fomento ao diálogo é a interseriação existente nas equipes, que são compostas por alunos tanto do 1º, 2º e 3º ano do ensino médio. Essa mescla de alunos os obriga a trocar conhecimento. Um aluno do 3º ano, por exemplo, já participou de um maior número de oficinas e consequentemente pode ter algumas informações a mais do que um aluno do 1º ano que está na mesma equipe.

Em relação ao professor, qual seria seu papel nesse modelo diferente de sala de aula? Pois, quando se fala no modelo tradicional de ensino, a primeira imagem que me vem à cabeça é a do professor transferindo conteúdo aos alunos da turma. O professor como agente e o aluno como paciente. O educador com poder de voz e o educando com o dever de escutar. Paulo Freire já dizia que “Não existe ensino sem aprendizagem. Nessa relação, educador e educando trocam de papéis o tempo inteiro: o educando aprende ao passo que ensina seu educador e o educador ensina e aprende com seu estudante”. Mas como adaptar essa relação à realidade das oficinas de aprendizagem?

Já deixando de seguir o paradigma de que os professores são os detentores do conhecimento e os alunos, assistindo às aulas, adquirem esse conhecimento com base na absorção de conteúdo e memorização de informações, os próprios alunos são os responsáveis pelo aprendizado. Voltando ao exemplo da Oficina CSI, os alunos precisam de um embasamento teórico na área de biologia para entender o uso da biotecnologia; conhecimento sobre história para entender as guerras mundiais e relações internacionais e aulas de filosofia para questionar a relação entre ser humano e tecnologia. Dentro dos temas principais, que são contextualizados com problemas reais do dia-a-dia, a equipe é que tem a responsabilidade de pesquisar e se questionar sobre a correlação das disciplinas com o tema, ficando mais fácil de enxergar a aplicação da teoria em problemas da realidade. O professor, que na verdade atua como um facilitador, colabora com mais questionamentos, que normalmente são direcionados às suas disciplinas específicas, ajudando no progresso reflexivo da equipe. A partir daí, o professor deixa de ser aquele que simplesmente repassa informação, deixa de ser o personagem ativo, para simplesmente facilitar o processo de aprendizagem que é protagonizado pelo aluno.

Um ponto muito importante da metodologia é a forma de avaliação. Os alunos são avaliados por conceitos, sendo estes: I — Insuficiente (0 a 69%), S — Suficiente (70 a 79%), B — bom (80 a 89%) e E — Excelente (90 a 100%). Este modelo impulsiona os alunos a se esforçarem e pensarem sempre fora da caixa, já que para chegar ao E, não basta cumprir todos os requisitos e fazer tudo certo, é preciso inovar e surpreender o professor na tarefa. Isso dá início ao processo criativo em sala de aula, e essa vontade de fazer diferente faz com que os alunos lembrem melhor os conteúdos.

E se invertêssemos a sala de aula? Mais informações aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Esta matéria foi produzida pelo Núcleo Paraná da Inoversidade.

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