Video Mapping e as instalações multimídias
Técnica tratada por muitos como mágica, o ‘video mapping’ ou projeção mapeada ganha cada vez mais atenção de diversos profissionais, que vão de artistas digitais a publicitários, por conta das suas inúmeras possibilidades.
Não precisamos pesquisar muito para confundirmos video mapping e instalação multimídia, de fato as duas andam bem juntas, porém após um pouco mais de pesquisa a dissociação vem naturalmente.

Admito que não tenho um conceito para video mapping definido, inclusive isso é bastante discutido e nunca consegui escolher um que não mudasse depois de um tempo. Há quem diga que video mapping é a união de arquitetura e audiovisual, já outros defendem que qualquer projeção é mapeada pois houve no mínimo uma observação da supuerfície. Como consenso é definido video mapping como projeções sobre superfícies irregulares, que vão desde fachadas de prédios a menores, como uma caixa de papelão. Podem ser também estruturas da natureza, como árvores e rochas ou podem ser estruturas previamentes pensadas e construídas para a projeção.
Como o próprio nome já diz, a técnica é baseada em projeções, com isso obrigatoriamente precisamos de no mínimo um projetor para realizar qualquer projeto, ficando sujeito ao projeto a necessidade de mais projetores.
O projetor é o principal dispositivo para o video mapping, assim como o software que melhor atenda a finalidade do projeto, não existe uma maneira correta de fazer video mapping. Existem algumas técnicas que irei falar mais abaixo.
Os projetores são compostos por quatro elementos: uma fonte emissora de luz, um filtro que contém o “molde” da imagem a ser ampliada, uma lente que diverge os raios de luz e uma estrutura que contenha a todos os componentes anteriores, além de possibilitar transporte e proteção do equipamento.
A partir da complexidade do projeto a ser executado devemos definir qual o melhor projetor a ser utilizado. Eles são classificados em ANSI Lumens(lm).
ANSI lumen é uma unidade de medida estabelecida pela American National Standards Institute, derivada de uma outra unidade chamada fluxo luminoso, estudada na fotometria, ramo da optica que mede a luz e como ela é percebida pelo olho humano.
Projetores mais comuns possuem de 1000 a 2500 lm de potência, capazes de projetarem imagens nítidas de aproximadamente dois metros. Porém existem projetores de até 50 000 lm. Ficando a cargo do projetoa indicação do melhor projetor a ser utilizado.
Atualmente hoje podemos encontrar três tipos de projetores, que são os LCD, sigla para Liquid Cristal Display ou Display de Cristal Líquido, os mais populares. Os DLP, ou Digital Light Processing, que levam vantagem em relação aos LCD pois tem uma redução drástica de perda de luminosidade. E os LED que tem como fonte de luz uma matriz de LEDs, o que aumenta o tempo de vida útil do aparelho e diminui a necessidade de espaço, possibilitando a construção de projetores portáteis.
Assim como devemos escolher o melhor projetor de acordo com o que o projeto a ser realizado necessita, também devemos escolher o melhor software para o projeto. Atualmente temos alguma opções, gratuitas e pagas e para todos os sistemas operacionais, irei deixar uma lista de softwares no fim do texto.
O que nos leva a definir o melhor software a ser utilizado são suas possibilidades de criação e edição de vídeos. As técnicas mais conhecidas e utilizadas são três.
Distorção por Corner Pin é a técnica que distorce o vídeo utilizando apenas seus quatro vértices. É indicada para projeção em pespectiva. Não é possível criar elementos 3D utilizando essa técnica.
Distorção de malha é aconselhada para a criação de elementos 3D em superfícies que necessitam desse recurso. A técnica consiste na criação de vários pontos no interior dos quatro vértices do vídeo e no manuseio desses pontos.
A última técnica é a criação de máscaras no vídeo, deixando parte das surpéficies sendo expostas ou não aos vídeos projetados, ficando a critério das necessidades dos projetos, inclusive todas as três técnicas podem ser utilizadas em conjunto.
Os softwares mais conhecidos são:
- Modul8: comercial, disponível somente para MacOS.
- Resolume: comercial, disponível para MacOS e Windows.
- VPT: open source, disponível para MacOS e Windows.
- MadMapper: comercial, disponível somente para MacOS.
- LPMT: open source, disponível para MacOS, Windows e Linux.
- Quase Cinema: open source, disponível para MacOS, Windows e Linux.
Vídeos:
Video Mapping aplicado a muralismo. Junção de video mapping e graffiti, experimento realizado durante o festival Além da Rua em outubro de 2015, Fortaleza. Parâmentros de cor são interativos com o som ambiente. Sob tutoria de Luan Rodrigues.
Experimento durante o curso Introdução ao Vídeo Mapping. Porto Iracema das Artes, Fortaleza, março de 2014. Sob tutoria de Valentino Kmentt.
Para se apofundar, leia a apostila (que foi minha principal referência) Entre a luz e a forma um breve manual sobre projeção mapeada. Para se apronfudar ainda mais basta dar uma googleada.