A luz nossa de cada dia

Todos os dias pela manhã somos despertados pela mais poderosa fonte de luz, calor e energia. A energia inexorável e incondicional que nos dá vida e nos permite continuar neste planeta. O Sol não escolhe em que dia vai nascer ou deixar de nascer, ele está ali todos os momentos da nossa vida. Mesmo que escondido por nuvens, ou passeando pelo outro lado do planeta, seu calor está sempre presente. Sua louvável persistência em iluminar toda a natureza e, consequentemente, todos nós, pode ser traduzida em algumas palavras como Amor, Sabedoria e Inteligência. E o Sol é a expressão máxima dessas virtudes.

Descendo agora para outro ciclo de evolução, observamos como são os animais, e mais especificamente, os animais de estimação. Seu amor pelos seus “amos” é talvez o maior que podemos conceber no nosso cotidiano. E que vergonha a nossa termos que recorrer aos animais para exemplificarmos o amor. Um amor sem rancores e sem exigências, um amor incondicional. Para nossos bichinhos nós somos deuses. Assim como os animais são os deuses das plantas e as plantas deuses dos minerais.

Mas nós não reconhecemos nossos Deuses tão facilmente como o fazem alguns animais. E mais difícil ainda, o quanto os amamos? O quanto amamos o Sol, que tanto nos dá, incondicionalmente? O quanto agradecemos a todos os nossos Deuses? Como o Deus Solo, por exemplo, que, quando não está vedado pelo cimento humano, entra em comunhão com o Deus Sol e a Deusa Chuva e nos dá todos os nossos alimentos.

Nós humanos estamos no caminho do meio entre os animais e o divino, entre o instinto e a vontade. Temos um pouco do instinto animal (mais do que deveríamos) e um pouco da sabedoria divina (menos do que poderíamos). Deveríamos prestar mais atenção aos ensinamentos da natureza e aprender a amar como nossos bichinhos e a iluminar como o nosso Sol. Amar incondicionalmente todas as coisas; ser cada vez melhores e com isso ajudar a iluminar o caminho de evolução da humanidade.

Todos os grandes sábios disseram um dia que para mudar o mundo devemos antes mudar a nós mesmos. Mas como sermos mais luminosos se no dia a dia nos alimentamos de tanta escuridão? Chegamos em casa todos os dias do trabalho ou dos estudos para finalmente termos um tempo para nós mesmos e o que fazemos? Ligamos a televisão e absorvemos todo o consumismo, a vulgaridade e o sofrimento do mundo. Na maioria das vezes não precisamos nem trocar de canal para termos o pacote completo. Mas a televisão é só um exemplo, podemos encontrar isso em qualquer lugar, não precisamos procurar muito.

No jantar nos alimentamos do sofrimento de outros seres, e depois sentamos no sofá para alimentar nossa mente e nosso astral da degradação de outros humanos. E o resultado dessa equação não tem como ser outro: mais sofrimento, emoções instintivas, egoísmo, materialismo. Ao falar de saúde, uma das verdades mais ditas atualmente é: Nós somos o que comemos. Sabemos que se comermos só porcaria e não exercitamos nosso corpo, aos poucos ele vai atrofiando e adoecendo. Mas esquecemos que não é só o nosso corpo físico que precisa ser bem alimentado e exercitado, também a nossa psique tem fome, pode ficar anêmica, pode adoecer. Se alimentarmos nossas emoções e nossa mente com sofrimento, vulgaridade e violência, é isso que vamos ser interiormente e é isso que vamos refletir exteriormente. Já o nosso instinto não precisa ser alimentado, ele sempre estará ali. É ele que garante a nossa sobrevivência, mas não deveria ser ele o motor de nossos atos.

A vida atual nos obriga a viver na pressa constante, acabamos lutando apenas para sobreviver e esquecemos de viver. Mas todos sabemos muito bem que os momentos em que mais nos sentimos vivos são aqueles em que nossas ações e motivações são muito mais profundas do que os prazeres materiais. Precisamos de coisas que nos toquem mais profundamente do que só a fina casca que é nosso corpo físico. São esses os pequenos instantes de luz que devemos cultivar diariamente.

Mas e por que não buscamos isso mais frequentemente? Por que gastamos nosso tempo com o passageiro e nos esquecemos do eterno?

“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.”
Platão

O que fazemos com nosso tempo livre diz muito sobre quem somos. Ou melhor, sobre quem queremos ser. Que tipo de leitura temos (se é que temos alguma), que filmes assistimos, o que dizem as nossas músicas preferidas. Quão saudáveis são nossos amizades e relacionamentos, que pensamentos temos quando estamos com nós mesmos. Quanto tempo aguentamos ficar sozinhos em silêncio, só com a nossa própria companhia? Deveria ser nosso momento preferido.

É no cotidiano que devemos focar nossa evolução, é onde os verdadeiros desafios aparecem. E nesse cotidiano, nos identificamos mais com os nossos instintos ou com nossos verdadeiros sentimentos? Temos sentimentos verdadeiros?

A luz do Sol está aqui todos os dias, cabe a nós absorve-la, amá-la e refletí-la. Sejamos mais amorosos como os animais e mais luminosos como o Sol, sejamos mais humanos. Nem que seja só por um instante do dia, já é muito mais do que estamos acostumados. E de instante em instante um dia poderemos ser tão luminosos como o Sol e sermos nós mesmos a expressão máxima de Amor, Sabedoria e Inteligência. E quem sabe no futuro não sejamos nós o Sol de muitos outros seres, dando luz, calor, energia… dando vida. Parafraseando o próprio Platão: Somos luzes mas esquecemos.

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